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Cientistas decodificam 1° genoma de 10 mil anos da África do Sul

22/09/2024 12h26

Pesquisadores reconstruíram os genomas humanos mais antigos da África do Sul, uma das regiões que mais concentram uma grande quantidade de amostras do tipo em todo o planeta. Trata-se de duas pessoas que viveram há cerca de 10.000 anos, detalhando a história demográfica da região, anunciou Victoria Gibbon, uma das autoras do estudo e professora de Antropologia Biológica da Universidade da Cidade do Cabo (UCT), neste domingo (22).

As sequências genéticas são de um homem e uma mulher cujos restos mortais foram descobertos no abrigo rochoso de Oakhurst, perto da cidade costeira de George, no sul do país, disse Victoria Gibbon.

Essa é uma das 13 sequências reconstruídas de pessoas cujos restos mortais foram encontrados nesse abrigo e que viveram entre 1.300 e 10.000 anos atrás. Antes dessas descobertas, os genomas mais antigos reconstruídos na região datavam de cerca de 2.000 anos.

O estudo de Oakhurst revela surpreendentemente que os genomas mais antigos eram geneticamente semelhantes aos dos grupos San e Khoekhoe que vivem na mesma região atualmente, explicou a UCT em um comunicado à imprensa.

"Estudos semelhantes na Europa revelaram um histórico de mudanças genéticas em grande escala devido aos movimentos humanos nos últimos 10.000 anos", disse o principal autor do estudo, Joscha Gretzinger, no comunicado.

"Esses novos resultados do sul da África são muito diferentes e sugerem uma longa história de relativa estabilidade genética", disse Gretzinger, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, na Alemanha.

Agricultura e desenvolvimento da linguagem

Os dados atuais de DNA mostram que esse quadro só mudou há cerca de 1.200 anos, quando os recém-chegados introduziram o pastoreio, a agricultura e novas línguas na região, e começaram a interagir com grupos locais de caçadores-coletores.

"Embora alguns dos vestígios mais antigos de humanos contemporâneos possam ser encontrados no sul da África, eles geralmente estão mal preservados", disse Gibbon. "Mas as novas tecnologias agora possibilitam a obtenção desse DNA", acrescentou.

Ao contrário da Europa e da Ásia, onde os genomas de milhares de pessoas foram reconstruídos, menos de duas dúzias de genomas antigos foram encontrados no sul da África, especificamente em Botsuana, África do Sul e Zâmbia.

"Locais como esse são raros na África do Sul, e Oakhurst nos permitiu compreender melhor os movimentos e as relações das populações locais na paisagem durante um período de quase 9.000 anos", enfatizou a pesquisadora.

(Com AFP)

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