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Israel intensifica bombardeios e número de mortes em Gaza passa de 80

Ataque israelense atinge Gaza; autoridades relatam 83 mortes em Gaza e sete em Israel  - AFP
Ataque israelense atinge Gaza; autoridades relatam 83 mortes em Gaza e sete em Israel Imagem: AFP
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

13/05/2021 06h41Atualizada em 13/05/2021 09h59

Israel vive hoje uma escalada da violência em duas frentes, com a intensificação dos bombardeios na Faixa de Gaza contra grupos armados palestinos e dos distúrbios nas cidades habitadas por judeus e árabes em seu território. Autoridades da região relatam 83 mortes em Gaza e sete em Israel desde o início dos conflitos.

Pouco depois da meia-noite (horário local), os alertas de foguetes foram acionados no sul do país, mas também na metrópole de Tel Aviv, pela primeira vez desde o início da escalada na segunda-feira (10), assim como na região norte. Todos os voos com destino ao aeroporto internacional desta cidade foram desviados até novo aviso.

Durante a madrugada, cinco pessoas ficaram feridas na explosão de um projétil que caiu em um complexo residencial de Petaj Tikva, perto de Tel Aviv.

Ao mesmo tempo, a aviação israelense bombardeou posições do grupo islamita Hamas na Faixa de Gaza - território palestino com dois milhões de habitantes sob bloqueio de Israel — incluindo locais relacionados com operações de "contraespionagem" e a residência de Iyad Tayeb, um dos comandantes do movimento.

Segundo o ministério da Saúde da Faixa de Gaza, o número total de palestinos que morreram nos bombardeios israelenses nos últimos dias em Gaza subiu para 83. Entre as vítimas fatais estão 17 menores de idade. Os ataques também deixaram 487 feridos, de acordo com o ministério.

Em Israel, autoridades confirmaram sete mortes desde o início da semana, incluindo um menino de seis anos. O país diz ter sido alvo de mais de 1.600 projéteis e contabiliza centenas de feridos em pouco mais de dois dias.

Israel também colocou tropas de combate de prontidão ao longo da fronteira com Gaza e está em "vários estágios de preparação de operações terrestres", disse um porta-voz militar, uma medida que lembra incursões semelhantes durante as guerras entre Israel e Gaza em 2014 e entre 2008 e 2009.

Distúrbios em cidades

A situação na Esplanada das Mesquitas, onde a violência começou na semana passada, estava mais calma hoje, mas várias cidades de Israel registram distúrbios noturnos.

Militantes de extrema-direita saíram às ruas em todo o país e provocaram confrontos com as forças de segurança e, em alguns casos, com árabes israelenses. Incidentes violentos foram registrados em várias cidades, em particular, Lod, Acre e Haifa.

O país ficou abalado com a transmissão, ao vivo pela televisão, do linchamento de um homem, considerado árabe por seus agressores, perto de Tel Aviv. As imagens mostram um homem que foi retirado à força de seu veículo e chutado no chão por uma multidão, até perder a consciência.

"O que está acontecendo nos últimos dias nas cidades de Israel é insuportável (...) nada justifica este linchamento de árabes pelos judeus e nada justifica o linchamento de judeus pelos árabes", declarou Benjamin Netanyahu, antes de afirmar que Israel enfrenta um "combate em duas frentes".

"Mobilização massiva"

O ministro israelense da Defesa, Benny Gantz, ordenou a mobilização "massiva" de forças de segurança para cidades onde coabitam israelenses e palestinos com cidadania israelense, de modo a combater a violência interna registrada nos últimos dias.

"Estamos em uma situação de emergência (...) e agora é necessário reforçar maciçamente as forças no terreno", disse o ministro em um comunicado.

Ele informou ainda que convocará oficiais da reserva da guarda fronteiriça, que normalmente opera na Cisjordânia, território ocupado por Israel.

Morte de comandante do Hamas

O Hamas anunciou ontem a morte do comandante de seu braço militar para a cidade de Gaza, a principal do território palestino. O serviço de inteligência israelense informou que outros dirigentes do Hamas morreram nos bombardeios.

A aviação israelense destruiu um edifício de mais de 10 andares que abrigava os escritórios da rede de televisão palestina Al Aqsa, criada pelo Hamas.

"Em represália pelo ataque contra a torre Al Shoruk e a morte de um grupo de dirigentes", o Hamas lançou na quarta-feira à noite mais de 100 foguetes contra Israel. Muitos foram interceptados pelo sistema antimísseis Cúpula de Ferro.

Fontes militares de Israel afirmaram que o país bombardeou Gaza mais de 600 vezes desde segunda-feira.

Nova reunião

Com a intensificação dos combates, o Conselho de Segurança da ONU terá uma nova reunião na sexta-feira, a terceira em uma semana.

Durante as duas primeiras videoconferências, os representantes dos Estados Unidos não aceitaram uma declaração conjunta para pedir o fim dos confrontos, por considerá-la "contraprodutiva" neste momento, segundo fontes diplomáticas.

Washington, no entanto, anunciou o envio de um emissário a Israel e aos Territórios Palestinos ocupados para estimular uma "desescalada", enquanto Moscou pediu uma reunião do Quarteto para o Oriente Médio (UE, Rússia, EUA, ONU).

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que conversou por telefone com o presidente americano, Joe Biden, disse que pretende "seguir" bombardeando para enfraquecer a capacidade militar do Hamas.

O presidente palestino, Mahmud Abbas - que está na Cisjordânia, cenário de protestos, distúrbios e ataques contra as forças israelenses que deixaram três mortos na terça-feira -, conversou com o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, para pedir que ajude a obter o "fim dos ataques israelenses".

Blinken expressou a "necessidade de acabar com os ataques de foguetes e reduzir as tensões".

Escalada

A escalada de violência começou após um fim de semana de tensão na Esplanada das Mesquitas, lugar sagrado para muçulmanos e judeus, situado no setor palestino de Jerusalém.

Mais de 900 palestinos ficaram feridos em confrontos com a polícia israelense no leste da cidade. Manifestantes receberam a polícia com pedras enquanto autoridades responderam com balas de borracha e granadas de atordoamento.

Na segunda-feira (10), o Hamas lançou uma salva de foguetes como gesto de "solidariedade" aos 900 palestinos feridos.

O episódio aconteceu no dia que Israel comemorava a conquista de Jerusalém e da Cidade Velha murada. Em 2021, a data coincide com o fim do Ramadã, o mês de jejum dos muçulmanos — próximo à mesquita Al-Aqsa está o Muro das Lamentações, o local de oração mais importante para os judeus.

Jerusalém vive dias de tensão entre palestinos e Israel desde que famílias palestinas do bairro Sheikh Jarrah passaram a ser ameaçadas de despejo. A disputa pelo terreno, onde foram construídas várias casas de quatro famílias palestinas, começou após decisão do tribunal distrital de Jerusalém, que decidiu que judeus têm direito ao terreno.

O caso agora está com a Suprema Corte de Israel, que realiza hoje uma nova audiência. Uma lei israelense, no entanto, diz que, se judeus puderem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes da guerra de 1948, eles podem pedir que seus "direitos de propriedade" sejam restaurados.

Protestos contra a expulsão de famílias palestinas acontecem há semanas. Para especialistas, os atuais confrontos na Esplanada das Mesquitas são os mais violentos desde 2017.

*Com informações da AFP e Reuters.

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