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Fiat Tempra 'autografado' segue zero 30 anos depois, mas não pode rodar

Fiat Tempra versão Prata 1991/1992 nunca foi emplacado e saiu da fábrica para servir como ferramenta de ensino para estudantes de mecânica no Senai São Paulo - Reprodução
Fiat Tempra versão Prata 1991/1992 nunca foi emplacado e saiu da fábrica para servir como ferramenta de ensino para estudantes de mecânica no Senai São Paulo
Imagem: Reprodução
do UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

11/05/2021 04h00Atualizada em 11/05/2021 19h05

O Fiat Tempra 1991/1992 azul Gurundi das fotos que ilustram esta reportagem é um dos exemplares mais raros e menos rodados do Brasil. A lataria com amassados, a pintura cheia de riscos e a falta de emblemas na dianteira e na traseira até podem enganar, mas trata-se de um carro com cerca de 60 km percorridos ao longo dos seus 30 anos de existência.

Na verdade, o sedã nunca foi emplacado e, portanto, até hoje não pode rodar em vias públicas. Essa é justamente a razão da quilometragem tão baixa: o Tempra com chassi número 260 saiu da fábrica em Betim (MG) com a missão de ajudar na formação de mecânicos do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) em São Paulo.

Segundo o colecionador paulista Alexandre Badolato, que comprou o Fiat em março do ano passado antes de vendê-lo a outro entusiasta, cerca de cinco meses depois, o carro foi doado ao Senai pela respectiva montadora pouco depois do seu lançamento no País, em 1991.

Tempra zero Senai SP - Reprodução - Reprodução
Tempra com chassi 260 foi doado pela Fiat ao Senai-SP e hoje pertence a colecionador do interior paulista
Imagem: Reprodução

Após algum tempo de serviços prestados e a inevitável obsolescência, o Tempra, apelidado de "Ítalo", foi vendido ao seu primeiro dono "pessoa física", que anos depois o repassou a Badolato.

Uma placa no cofre do motor aponta que o sedã já integrou o patrimônio do Senai-SP - a plaqueta do chassi foi recortada pela Fiat antes da doação, mas o código alfanumérico atestando a procedência ainda permanece junto a uma das portas.

Tempra Senai-SP Ítalo - Reprodução - Reprodução
Imagem anterior a martelinho de ouro exibe o nome Ítalo na tampa do porta-malas; pintura original foi preservada
Imagem: Reprodução

"Apesar de estar zerado, esse carro provavelmente foi montado e desmontado por diversas vezes, além de ter sido vandalizado. Quando comprei o Tempra, a tampa do porta-malas exibia o nome Ítalo 'autografado', daí veio o apelido. Acredito que era um dos alunos" - conta Badolato, dono da maior coleção de Dodge do Brasil.

A lista de "defeitos" elencados pelo colecionador inclui, além de outros "autógrafos", uma série de amassados, como nas duas caixas de ar nas laterais, logo abaixo das portas. Já o interior é de um veículo zero-quilômetro antigo, sem "grilos" e com a maioria dos estofamentos em perfeito estado - a exemplo do revestimento de veludo cinza dos bancos, em tonalidade exclusiva da primeira safra do Tempra.

Tempra Senai SP - Reprodução - Reprodução
Hodômetro marca cerca de 60 km rodados, o que chama a atenção em um carro fabricado no ano de 1991
Imagem: Reprodução

Alexandre estava em dúvida entre eliminar esses detalhes e manter a pintura original, preservando as "cicatrizes" acumuladas durante três décadas. Antes de decidir, acabou passando o Tempra adiante, em agosto de 2020.

"Desisti do carro porque encontrei alguém que gosta mais dele do que eu. Eu tinha esse impasse, sabia que o carro não estava bonito. Ao mesmo tempo, se eu pintasse, perderia o apelo de ser um Tempra zero com pintura de fábrica. Deixei essa decisão para o Matheus, o dono atual", conta Badolato.

Matheus Huttembergue de Lima, o novo proprietário, coleciona carros da Fiat, especialmente modelos lançados nos anos 90, como o Tempra. Até o momento, o dono atual fez apenas um martelinho de ouro para melhorar o visual, dispensando intervenções mais profundas.

Tempra plaqueta Senai SP - Reprodução - Reprodução
Plaqueta no cofre do motor aponta que Tempra 1991/1992 raríssimo já pertenceu ao Senai-SP
Imagem: Reprodução

Aos 36 anos, Lima, que é comerciante de carros, diz que não vai repintar seu Tempra raro, mas ainda fará algumas melhorias nele.

"Em princípio, queria repintar. Imagina o Tempra zero e com pintura perfeita. Mas desisti, pois o carro está todo original, tem muita história envolvida e poderia ter sido destruído há muito tempo", conta o entusiasta.

Seus planos são de recortar e trocar os amassados nas caixas de ar, consertar um raspado na lateral direita traseira e, quem sabe, repintar a parte superior da tampa traseira - o que removeria o "autógrafo" do Ítalo, algo que o deixa dividido. "Estou ouvindo opiniões".

"Os forros de porta estão perfeitos e não tem nenhum ruído de acabamento. Além disso, como um dos primeiros Tempra fabricados aqui, este tem detalhes raros como faróis italianos com carcaça cinza e regulagens na parte superior. O volante está novo, com tudo bem encaixado e a textura igual à do tempo em que foi fabricado", elogia Lima, que também tem na garagem modelos da Fiat como Tempra SW, Tipo, Palio, Brava e Siena.

Tempa Ítalo - Reprodução - Reprodução
Por ser pré-série, Tempra 'Ítalo' traz detalhes exclusivos como 3 ranhuras no forro das portas traseiras
Imagem: Reprodução

Morador de Pedreira, cidade da região de Campinas (SP), Matheus não se importa de investir tempo e dinheiro em um veículo que não tem documentos e, portando, está proibido de ser utilizado em vias públicas.

"É um exemplar zero-quilômetro de um ícone da indústria automotiva brasileira. Além de trazer inovações para sua época, como comando duplo de válvulas, trata-se de um carro pré-série, que tem muitas coisas que você não encontra em um Tempra comum", diz ele.

Dentre os detalhes exclusivos, alguns só perceptíveis por entusiastas, Lima elenca as três ranhuras no revestimento das portas traseiras, a ausência da inscrição Tempra em baixo relevo na tampa do porta-luvas e os forros de porta italianos. Além disso, como todos os carros dos primeiros anos de fabricação do sedã, o "Ítalo" traz faróis com capa cinza e regulagem na parte superior.

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