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1 mês

Pandemia enche hospitais nas Américas e expõe desigualdade no acesso às vacinas

05/05/2021 19h17

Washington, 5 Mai 2021 (AFP) - A pandemia de covid-19 enche hospitais nas Américas e registrou aumento da mortalidade entre jovens, enquanto expõe a desigualdade entre os países no acesso às vacinas, alertou nesta quarta-feira (5) a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Carissa Etienne, diretora da organização, indicou em entrevista coletiva virtual que, na semana passada, 40% das mortes por covid-19 no mundo ocorreram na região, e que há mais países do que nunca relatando mais de 1.000 casos diários.

"Os hospitais da região estão perigosamente cheios", alertou Etienne.

A Opas realizou um estudo em 16 países e estabeleceu que, em março de 2020, havia um total de 61.406 leitos em unidades de terapia intensiva, com uma ocupação média de 61% nessas alas hospitalares. Já em abril deste ano, o total havia aumentado para 121 mil, com 80% dessas novas vagas ocupadas.

"Isso é uma média, alguns países tiveram uma taxa de ocupação de mais de 95% nessas unidades", alertou Etienne, que lamentou que apesar do que foi aprendido com o vírus em 2020, "os esforços de controle não são tão rígidos e a prevenção não é tão eficiente".

A médica à frente da Opas explicou que esses leitos exigem funcionários especializados e os pacientes dessas unidades precisam de atendimento 24 horas por dia.

"Isso pode não ser sustentável ao longo do tempo", ressaltou, referindo-se ao cansaço acumulado do pessoal da saúde.

A região América Latina e Caribe soma mais de 934 mil mortos e quase 30 milhões de casos da doença, segundo um balanço da AFP.

- "Sensação de falsa segurança" -Etienne observou que durante grande parte da pandemia, os hospitais estavam lotados de pessoas mais velhas com comorbidades, e essa tendência criou uma "falsa sensação de segurança" entre a população mais jovem.

No entanto, acrescentou, as hospitalizações e mortes de adultos jovens estão aumentando à medida que a pandemia da covid-19 se acelera na região.

"Adultos de todas as idades - incluindo jovens - estão ficando gravemente doentes e muitos deles estão morrendo", observa a médica.

A Opas informou que nos últimos meses a taxa de hospitalização dos menores de 39 anos aumentou em 70% no Chile, enquanto no Brasil ocorreu um maior aumento de internação da população em torno dos 40 anos.

Enquanto nos Estados Unidos há mais pessoas na casa dos 20 anos hospitalizadas do que aquelas com mais de 70 anos, no Brasil a taxa de mortalidade de menores de 39 anos dobrou entre dezembro e maio passado.

Além disso, se multiplicou por quatro para pessoas de 40 anos e triplicou para as de 50 anos no período indicado, informou a médica.

De acordo com Etienne, a população mais jovem que recebe cuidados hospitalares tem maior probabilidade de sobreviver à covid-19, mas alertou os países para se prepararem para uma alta na demanda.

"Ainda estamos no meio de uma crise em andamento", alertou.

- Vacinação desigual -O abismo aumenta entre países ricos, onde o sucesso das campanhas de vacinação permite um levantamento progressivo das restrições - e as nações mais pobres. Como exemplo disso, o Canadá aprovou hoje o uso da vacina Pfizer-BioNTech em pessoas a partir de 12 anos, tornando-se o primeiro país a autorizar a aplicação do imunizante em pessoas tão jovens.

Os Estados Unidos pretendem seguir o mesmo caminho na semana que vem. Na União Europeia, mais de um quarto da população recebeu ao menos uma dose de vacina e mais de 9%, as duas.

Depois que a OMS pediu solidariedade ao G7, os integrantes desse grupo discutiram em Londres formas de aumentar sua ajuda financeira ou compartilhar as doses que sobraram. Ante sua exposição a possíveis infectados pela Covid, o chefe da diplomacia indiana, Subrahmanyam Jaishankar, participou remotamente da reunião.

- Segunda onda na Índia -A Índia, que sofre com uma segunda onda da pandemia devastadora, registrou 3.780 mortos e 382.000 casos de Covid em 24 horas. A doença já causou mais de 220 mil mortes naquele país e deixou cerca de 20,3 milhões de doentes, balanço que muitos consideram não condizente com a realidade, que seria ainda mais grave.

A nova onda devastadora da pandemia é atribuída, entre outras razões, aos grandes eventos religiosos e políticos dos últimos meses e à falta de ação do governo. Os hospitais estão lotados e faltam oxigênio, medicamentos e leitos, apesar da ajuda internacional.

O gigante asiático anunciou hoje 6,7 bilhões de dólares em créditos para financiar as fabricantes de vacinas, os hospitais e as empresas do setor de saúde que combatem a segunda onda da doença.

O Paquistão acompanha com preocupação o que acontece no país vizinho. Milhares de muçulmanos participaram ontem de uma procissão religiosa em Lahore, desrespeitando as medidas de distanciamento social.

A pandemia já matou mais de 3,2 milhões de pessoas no mundo, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.

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