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Aumenta risco de faltar dinheiro em Mianmar após golpe de estado

Manifestantes seguram cartazes e marcham em protesto contra golpe militar em Yangon, Mianmar - Sai Aung Main/AFP
Manifestantes seguram cartazes e marcham em protesto contra golpe militar em Yangon, Mianmar Imagem: Sai Aung Main/AFP

24/02/2021 10h03Atualizada em 24/02/2021 10h28

Yangon, 24 Fev 2021 (AFP) - Centenas de pessoas fazem fila todos os dias em frente às agências bancárias em Yangon, na esperança de retirar suas economias, preocupadas com uma eventual falta de dinheiro em circulação, após o golpe de Estado em Mianmar.

Uma das primeiras medidas das autoridades militares foi limitar os saques, o que alimentou os rumores sobre a falta de liquidez.

O Banco Myawaddy está sob ameaça de boicote por parte dos birmaneses, já que hoje é controlado pelo Exército, que voltou ao poder em 1º de fevereiro depois de destituir Aung San Suu Kyi, a chefe de fato do governo civil.

Nos protestos em massa dos últimos dias, houve inúmeros apelos aos bancários desta instituição para que parem de trabalhar.

A maioria dos bancos, incluindo os privados, esteve realmente fechada por muitos dias, porque seus funcionários aderiram ao movimento de desobediência civil. Uma situação que fica cada vez mais tensa com a proximidade do dia de pagamento em Mianmar, nesta sexta-feira.

Apenas algumas agências dos bancos públicos permanecem abertas em Yangon para a retirada de dinheiro, sempre de forma muito limitada.

Devido a essa incerteza, Tun Naing, um empresário de 43 anos, faz fila todos os dias na frente do Myawaddy Bank.

"Por causa dos rumores sobre este banco, vim retirar meu dinheiro", cerca de US$ 4.500, disse ele à AFP.

Aumento do risco político

Sexto maior banco do país, o Myawaddy autoriza apenas 200 clientes por agência a fazer saques limitados a 500.000 kyat por dia, ou cerca de US$ 370.

Conseguir um lugar cedo pela manhã é crucial e, por isso, "algumas pessoas ficam em hotéis próximos para fazer fila para as senhas", conta Tun Naing. Nem todos têm, porém, sorte.

Myint Myint, um professor aposentado de 64 anos, tem entrado na fila todos os dias por uma semana e ainda não conseguiu fazer um saque sequer.

"Estou realmente farto", desabafou.

"Eles deveriam anunciar (na mídia estatal) que nosso dinheiro está seguro (...) Mesmo que não tenha grandes economias, estou preocupado com os boatos", completou.

Já um comunicado publicado no jornal oficial "New Light of Myanmar" afirma que os bancos continuam prestando seus serviços diariamente.

"A população é convidada a participar desse processo para garantir a estabilidade econômica do país", diz o parecer emitido pelo Banco Central.

A economia birmanesa já enfrentava ventos contrários desde antes do golpe de Estado militar, devido ao coronavírus e ao confinamento.

Agora, os generais enfrentam sanções de Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá e União Europeia. A economia em seu conjunto também corre o risco de perder investimento estrangeiro, reticente a trabalhar com a ditadura.

A agência classificadora de risco Fitch revisou rapidamente para baixo as estimativas de crescimento do país para 2021, de 5,6% para 2%, citando "altos riscos políticos".

Uma possível pausa na entrada de divisas estrangeiras soou o alarme na ONG Justiça para Mianmar, advertindo que os generais poderão começar a recorrer às reservas do Banco Central do país, no valor de US$ 6,7 bilhões.

No terreno, as preocupações são mais imediatas: será que as empresas conseguirão pagar seus funcionários no final do mês? Os idosos receberão suas aposentadorias?

Diante desse quadro, dezenas de milhares de pessoas vão às ruas todos os dias para protestar.

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