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Após 19 dias de apagão, Bolsonaro defende atuação do governo no Amapá

do UOL

Luciana Amaral e Gabriel Dias

Do UOL, em Brasília, e de colaboração para o UOL, em Macapá

21/11/2020 16h32

Após 19 dias de apagão elétrico no Amapá ainda não resolvido em definitivo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visitou Macapá, capital do estado, hoje e fez uma defesa da atuação do governo federal perante o problema que chegou a deixar cerca de 90% da população amapaense totalmente no escuro por quatro dias.

Em discurso, Bolsonaro afirmou que o Ministério de Minas e Energia criou um gabinete de crise no dia seguinte ao apagão principal, ocorrido em 3 de novembro, com visitas do titular da pasta, Bento Albuquerque, ao estado.

Ele também citou a atuação das Forças Armadas, que têm ajudado no transporte de geradores de fora do estado para o Amapá a fim de suprir o fornecimento de energia de forma emergencial.

"Isso que demoraria por volta de 90 dias para ser restabelecido, mesmo não sendo uma atribuição federal, nós mergulhamos, em especial pelo pedido do nosso presidente do Congresso Nacional [e do Senado], Davi Alcolumbre, e hoje em dia podemos dizer que estamos nos aproximando dos 100%", falou o presidente da República.

Bolsonaro confirmou que o governo editará Medida Provisória nos próximos dias para compensar a população do Amapá prejudicada pela falta de energia. "Amapá é Brasil e Brasil é Amapá", disse.

O presidente não deu detalhes da iniciativa, mas o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e Davi Alcolumbre (DEM-AP) disseram que a Medida Provisória irá isentar do pagamento da conta de energia elétrica todos os consumidores do Amapá prejudicados - possivelmente por um mês e de forma retroativa.

O blecaute paralisou indústrias e comércio, causou R$ 190 milhões de prejuízo em estimativa do Coletivo Nacional dos Eletricitários, impulsionou a violência e adiou as eleições municipais em Macapá. Moradores tiveram eletrodomésticos queimados e comerciantes perderam estoques refrigerados.

Bento Albuquerque falou que o grupo de crise montado estuda o planejamento energético do Amapá e de estados com características semelhantes e pretende apresentar um novo plano energético em cerca de 15 dias. O ministro adicionou que o Ministério do Desenvolvimento Regional disponibilizou R$ 21 milhões e a Petrobras doará R$ 500 mil em cestas básicas a famílias carentes do estado.

Presidente visitou duas subestações

Ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, eleito pelo estado, Bolsonaro visitou as subestações Santana e Santa Rita. Geradores termelétricos deverão começar a fornecer energia nas duas subestações a partir de hoje, segundo o Ministério de Minas e Energia.

Numa das subestações, sem máscara, Bolsonaro apertou um botão de um dos equipamentos do local e conversou com técnicos e políticos, além de tirar fotos.

Bolsonaro e Alcolumbre embarcaram hoje, por volta das 12h30, de Brasília para Macapá. O retorno do presidente da República a Brasília está previsto para o final da tarde de hoje.

O Amapá sofreu apagão que deixou cerca de 90% da sua população no escuro após um incêndio atingir uma subestação sob concessão de uma empresa privada, a LMTE (Linhas de Macapá Transmissora de Energia). Um transformador foi danificado totalmente e outro foi avariado em parte - dias depois, consertado. Um terceiro equipamento reserva estava em manutenção há meses. Dessa forma, a energia às pessoas foi interrompida.

A energia começou a ser restabelecida no dia 7, mas em regime de rodízio. Um novo apagão no Amapá chegou a ocorrer na noite de 17 de novembro. Parlamentares cobraram fiscalização maior da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que a agência foi informada de dificuldades da concessionária pela própria empresa no início do ano. A Aneel nega que tenha flexibilizado sua fiscalização.

A expectativa do Ministério de Minas e Energia é que outro transformador transportado de Laranjal do Jari para Macapá entre em operação na próxima quinta-feira, 26 de novembro. Somente então é que o estado deverá ter disponibilidade de energia equivalente ou superior ao do dia 3 de novembro.

Bolsonaro é recebido por manifestantes e apoiadores

O presidente Bolsonaro foi recebido na entrada do aeroporto Alberto Alcolumbre, na zona Central de Macapá, tanto por manifestantes quanto por apoiadores.

Cerca de 150 manifestantes aguardaram a chegada de Jair Bolsonaro em ato que transcorreu de forma pacífica e que foi acompanhado por um forte aparato policial da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar.

Entre as pautas reivindicadas estavam uma indenização à população pelos danos causados, a responsabilização dos culpados pelo apagão, a cassação do contrato da empresa responsável pela subestação de Macapá e um auxílio emergencial extra para a população mais afetada. O grupo também se colocou contra a privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá. Parte do grupo gritou ainda "Fora, Davi", em referência ao presidente do Senado.

Por outro lado, os apoiadores de Bolsonaro o recepcionaram com faixas de agradecimento ao trabalho executado pelo governo federal para o restabelecimento da energia no estado. Os simpatizantes do presidente seguiram em comboio até a subestação de Santana e, depois, a de Santa Rita.

Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na Base Aérea de Brasília antes de embarcar para Macapá - Reprodução - Reprodução
Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na Base Aérea de Brasília antes de embarcar para Macapá
Imagem: Reprodução

Auxílio extra a moradores do Amapá é suspenso a pedido da União

Ontem à noite, o desembargador I'talo Fioravanti Sabo Mendes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, acatou o pedido da União e suspendeu o pagamento de mais duas parcelas de R$ 600 a título de auxílio emergencial para moradores do Amapá atingidos pelo apagão que começou no último dia 3.

Segundo a AGU, o pagamento do auxílio iria "onerar em demasia os cofres públicos, na medida em que ensejará um custo estimado superior a R$ 418 milhões, sem que haja, no presente momento, previsão orçamentária específica".

Visita ocorre em meio às eleições com irmão de Alcolumbre candidato

A visita de Bolsonaro aconteceu após convite de Alcolumbre e em meio ao adiamento das eleições municipais em Macapá após decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O irmão de Alcolumbre, Josiel (DEM), é candidato à Prefeitura da cidade.

Segundo pesquisa Ibope divulgada em 11 de novembro, Josiel caiu nove pontos em relação ao levantamento apresentado em 28 de outubro. O candidato conta agora com 22% das intenções de voto e está tecnicamente empatado com Patrícia Ferraz (Podemos) e Dr. Furlan (Cidadania), ambos com 15%, depois de oscilarem positivamente 4 pontos cada um. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

O grupo político dos Alcolumbre teme que o apagão impacte negativamente a campanha de Josiel, especialmente por contar com o apoio de Waldez Góes e do atual prefeito de Macapá, Clécio Luis (sem partido).

Em discurso hoje, Davi Alcolumbre elogiou o trabalho do governo federal perante o apagão e cobrou a responsabilização da empresa responsável pela subestação que causou o problema no início do mês.

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