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Polícia de Belarus prende 6 mil pessoas em três noites de protestos contra reeleição de Lukashenko

12/08/2020 12h59

A polícia de Belarus anunciou, nesta quarta-feira (12), a prisão de cerca de mil pessoas e o uso de armas de fogo contra manifestantes na terceira noite de protestos no país. No total, seis mil cidadãos foram detidos desde a divulgação dos resultados das eleições presidenciais, no último domingo (9) - uma situação que provoca críticas de vários países ocidentais.

A polícia de Belarus anunciou, nesta quarta-feira (12), a prisão de cerca de mil pessoas e o uso de armas de fogo contra manifestantes na terceira noite de protestos no país. No total, seis mil cidadãos foram detidos desde a divulgação dos resultados das eleições presidenciais, no último domingo (9) - uma situação que provoca críticas de vários países ocidentais.

Há três dias, manifestantes denunciam fraudes na reeleição do autoritário presidente Alexander Lukashenko, que está no poder há 26 anos. A opositora Svetlana Tikhanovskaya, sua principal rival na eleição presidencial, reivindicou a vitória antes de abandonar o país e buscou refúgio na Lituânia por pressão das autoridades, segundo responsáveis por sua campanha eleitoral.

O Ministério da Saúde de Belarus divulgou um balanço de 51 feridos nos protestos da véspera. Ao menos um manifestante morreu e mais de 250 ficaram feridos durante os protestos desde domingo.

"Obrigada a usar armas de fogo"

A polícia bielorrussa afirmou que foi atacada na terça-feira por um grupo de pessoas com barras de metal e que foi "obrigada a usar armas de fogo", o que deixou um manifestante ferido. As forças de ordem também usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os protestos. 

A polícia atuou em vários bairros de Minsk na terça-feira contra pequenos grupos e impediu grandes concentrações. Motoristas que buzinavam em sinal de apoio aos manifestantes foram autuados. A polícia chegou a entrar em residências em busca de militantes. Cenas de policiais agredindo participantes dos protestos viralizaram nas redes sociais.

"Nunca aconteceram manifestações desta magnitude e duração, nem com essa repressão e violência", disse Oleg Goulak do Comitê Helsinki de Belarus, ONG de defesa dos direitos humanos.

Nesta quarta-feira, dezenas de mulheres, vestidas de branco e segurando flores, fizeram uma corrente humana no centro da capital bielorussa para denunciar as violências policiais. Centenas de pessoas também se reuniram diante de um presídio de Minsk em busca de parentes e amigos. 

Reunião da UE sobre Belarus

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, anunciou nesta quarta-feira uma reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) dedicada à situação em Belarus, no Líbano, além da tensão entre a Grécia e a Turquia. O encontro dos ministros da Relações Exteriores do bloco acontecerá por videoconferência na sexta-feira (14). 

Nesta manhã, a União Europeia denunciou uma eleição presidencial que não foi "nem livre nem justa" e ameaçou adotar sanções contra os responsáveis pelas violências contra a população em Belarus. Uma declaração aprovada pelos 27 Estados-membros exige o fim da repressão e a libertação imediata de todos os cidadãos detidos. 

Já o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, classificou de "chocante" e "escandalosa" a situação em Belarus. Durante uma visita a Praga, nesta quarta-feira, ele afirmou que o povo de Belarus tem direito de desfrutar das liberdades que reclama".

"Pedimos que os manifestantes não-violentos sejam protegidos", declarou dizendo esperar que "a União Europeia não publique apenas declarações, mas também tome medidas". 

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