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'Vacina precisa ser vista como um bem público', diz presidente da Fiocruz

MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vai transferir recursos para 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 - Robson Mafra/AGIF/Estadão Conteúdo
MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vai transferir recursos para 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 Imagem: Robson Mafra/AGIF/Estadão Conteúdo
do UOL

Do UOL, em São Paulo

07/08/2020 16h41

A presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Nísia Trindade Lima, defendeu que a vacina para o novo coronavírus seja vista como um "bem público" e que lucros não devem ser objetivos em tempos de pandemia.

Em entrevista à CNN Brasil, Nísia elogiou a MP (medida provisória) assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que libera quase R$ 2 bilhões em recursos para a produção de 100 milhões de doses.

"Esses recursos são para garantir a encomenda tecnológica, né? Não é a compra de um produto já registrado. Trata-se de um contrato em que os recursos servirão para que venha o IFA [Ingrediente Farmacêutico Ativo] e seja finalizada essa produção em Bio-Manguinhos. Teremos um custo de produção de vacina entre 3 e 4 dólares (16 reais). Não se deve ter lucro nesse momento de pandemia", declarou.

"A vacina precisa ser vista como um bem público, é o primeiro princípio importante de ser demarcado. Teremos custos na faixa de 300 milhões de reais e teremos também os investimentos necessários em Bio-Manguinhos para que nós possamos então estar aptos a ter essa nova tecnologia para a covid-19 e para possíveis outras doenças. É uma plataforma de futuro que já vinha em desenvolvimento para outras doenças", acrescentou a presidente da Fiocruz.

Sobre a eficácia da vacina atualmente em desenvolvimento, Nísia revelou ter altas expectativas com base nos resultados apresentados nas primeiras fases do estudo.

"Não vou fazer uma aposta, vou responder com dados científicos. Na fase 1 e 2, os artigos que foram publicados indicaram uma eficácia em torno de 90%, chegando perto de 100% com duas doses. Mas não é possível fazer apostas. Minha expectativa é alta, mas temos que aguardar a pesquisa. A evidência é o que já se viu até agora, o que está publicado, que são esses resultados das fases 1 e 2."

"A vacina não apresentou efeitos adversos importantes. Em relação à sua eficácia, ela realmente protegeu contra a covid-19. É importante dizer aqui: são pesquisas que levam um ano. Mais de 15 mil voluntários em todo o mundo, em diferentes países... Tudo que nós vemos nos dá essa grande expectativa. É uma esperança fundada na ciência", afirmou.

Fiocruz vai receber laboratório de empresas e fundações

Ambev, Americanas, Itaú Unibanco, Stone, Instituto Votorantim, Fundação Lemann, Fundação Brava e Behring Family Foundation anunciaram hoje que vão financiar a infraestrutura necessária para produção da vacina contra o novo coronavírus e doá-la à Fiocruz.

Inicialmente, será construído um laboratório de controle de qualidade para a realização dos testes, que incluem desde a incorporação da tecnologia por Bio-Manguinhos, a unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz, até o processamento final da vacina — neste caso, a candidata desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.

O projeto está na fase 3 de testes no Brasil. A expectativa é de que a vacina seja registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda neste ano. A partir daí, as doses produzidas serão disponibilizadas ao PNI (Programa Nacional de Imunizações), que se encarregará de distribuí-las para a população.

Além disso, o grupo vai investir em adequações do parque fabril de Bio-Manguinhos e na compra de equipamentos necessários à absorção total da tecnologia para produção da vacina. A previsão é de que a infraestrutura esteja pronta até o começo de 2021.

Quando concluídos todos os investimentos, Bio-Manguinhos terá também capacidade para produzir outras vacinas no futuro, incluindo outros tipos contra a covid-19 que eventualmente forem aprovados.

A preparação destas instalações fabris terá um custo de cerca de R$ 100 milhões. As empresas e fundações são responsáveis por 100% desses investimentos.

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