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Erdogan anuncia retomada de explorações no Mar Mediterrâneo

07/08/2020 12h07

ISTAMBUL, 7 AGO (ANSA) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta sexta-feira (07) a retomada as atividades de exploração de petróleo e de gás natural no Mar Mediterrâneo, com base em um acordo firmado com a Líbia no fim do ano passado.   

"Nós retomamos as atividades de perfuração. Também enviamos o Barbaros Hayrettin [navio de pesquisa sísmica] para a área", informou Erdogan, justificando a medida pelo fato do governo da Grécia "não ter mantido suas promessas".   

A retomada das operações vem em um momento de alta tensão na região - em uma questão diplomática que envolve ainda a União Europeia, o Egito e a Líbia - e ocorre cerca de 15 dias depois da suspensão dos trabalhos pelos turcos.   

No dia 22 de julho, a Marinha de Atenas emitiu um alerta por conta dos trabalhos turcos de perfuração na região próxima à ilha grega de Kastelorizo, na parte sudeste do Mar Egeu. No dia seguinte, os turcos anunciaram a suspensão temporária das operações após a intermediação da União Europeia, por parte da chanceler alemã, Angela Merkel.   

Naquele dia, Merkel sugeriu uma mesa de negociações trilaterais - Ancara, Atenas e Berlim - para criar um grupo de trabalho para encerrar as disputas sobre as fronteiras marítimas no Mar Mediterrâneo.   

No entanto, Erdogan afirmou que decidiu ordenar a volta dos trabalhos porque "não dá para confiar na Grécia". "Se você confia na Grécia, nós paramos por três ou quatro semanas. Mas, eu não confio. Você vai ver que eles não mantém promessas", teria dito Erdogan, segundo seu próprio relato, a Merkel naquele dia.   

A justificativa da quebra de confiança, sempre conforme o líder turco, foi dada nesta quinta-feira (06) após os governos da Grécia e do Egito anunciarem um acordo bilateral de marcação de fronteiras marítimas, criando uma zona exclusiva de exploração de gás e petróleo para os dois países.   

O pacto Atenas-Cairo não foi reconhecido de imediato pelo governo turco e Erdogan voltou a condenar o acordo nesta sexta, dizendo que ele "não tem valor nenhum". O Ministério das Relações Exteriores da Turquia afirma que esse novo documento atinge áreas que são reconhecidas "até pelas Nações Unidas como plataforma continental turca".   

Por sua vez, os gregos e os egípcios têm a mesma visão sobre outro acordo de fronteiras marítimas, dessa vez, assinado entre Ancara e o governo da Líbia em novembro do ano passado. Segundo Atenas, o documento classifica como águas líbias parte da área que é reconhecida como pertencente ao seu território.   

Esse pacto foi veementemente condenado tanto pelos países que ficam próximos a área - além de Grécia e Egito, Israel e Chipre - bem como pelos Estados Unidos e pela União Europeia.   

"Manteremos com determinação o acordo marítimo que tínhamos firmado com a Líbia. Acreditamos que é inútil discutir fronteiras marítimas com aqueles que não tem nenhum direito sobre as áreas em questão", acrescentou ainda Erdogan nesta sexta.   

O Mediterrâneo Oriental, além de sua importância estratégica para o transporte de embarcações e mercadorias no mundo, vem sendo alvo de constantes descobertas recentes de gás natural e de petróleo. Os primeiros anúncios ocorreram em 2009 e vários outros foram sendo anunciados até 2018.   

Desde então, a Turquia vem causando atritos por conta dessa exploração, que tem um claro valor em um mundo em que se gasta cada vez mais para ter combustíveis fósseis. Além do problema com os gregos e egípcios, Ancara também teve uma crise com o Chipre por conta das reservas naturais. (ANSA).   

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