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Irmã do líder norte-coreano afirma que outra reunião com EUA "não é necessária"

10/07/2020 06h15

Seul, 10 Jul 2020 (AFP) - Kim Yo Jong, a influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un disse nesta sexta-feira que outra reunião de cúpula com os Estados Unidos "não é necessária", exceto se Washington apresentar uma "mudança decisiva" de atitude.

Kim e o presidente americano, Donald Trump, se reuniram pela primeira vez em Singapura há dois anos, mas as negociações sobre o arsenal nuclear de Pyongyang estão paralisadas desde o fracasso do segundo encontro, em Hanói, no início de 2019, provocado pela falta de concessões da Coreia do Norte a respeito de seu programa nuclear em troca de uma flexibilização das sanções.

Trump disse esta semana que voltaria a reunir-se com Kim se "pensasse que poderia ajudar", depois dos boatos sobre um terceiro encontro, que seria parte das tentativas do presidente americano de fortalecer sua popularidade para as eleições de novembro.

Mas em um comunicado divulgado pela agência estatal de notícias da Coreia do Norte, Kim Yo Jong, que se tornou uma das assessoras mais influentes do irmão, afirma: "Não precisamos sentar com os Estados Unidos neste momento".

Se uma reunião fosse organizada, disse, "é óbvio que será apenas usada como uma vanglória chata procedente do orgulho de alguém".

A desnuclearização, acrescentou, "não é possível no momento" e apenas poderia acontecer se do outro lado acontecessem "medidas importantes simultâneas e irreversíveis", que não se referem, ela enfatizou, à suspensão das sanções.

Kim Yo Jong não entrou em detalhes, mas Washington mantém 28.500 soldados no Sul da península para defender o território de seu vizinho e tem uma presença militar no Japão e na região do Pacífico.

Pyongyang insiste que precisa de seu arsenal como forma de dissuasão ante uma possível invasão americana.

De acordo com Kim Yo Jong, o comunicado é uma opinião pessoal, mas a longa declaração parece desejar enviar diversas mensagens.

Ela disse que assistiu as celebrações do Dia da Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho, na televisão e que seu irmão de uma "permissão para que obtenha o DVD das celebrações... no futuro".

O líder norte-coreano "me confiou transmitir seus desejos ao presidente Trump de que ele certamente alcançará grandes sucessos em seu trabalho", acrescentou.

Kim Jong Un declarou em dezembro o fim da moratória dos testes nucleares e balísticos. Pyongyang afirma que não deseja prosseguir com as negociações, exceto se Washington abandonar o que considera uma política "hostil" a respeito da Coreia do Norte.

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