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São Paulo reabre bares e restaurantes após mais de cem dias

06/07/2020 18h23

São Paulo, 6 Jul 2020 (AFP) - Os bares e restaurantes de São Paulo, a capital econômica do país, voltam a receber clientes a partir desta segunda-feira (6), em uma nova fase de reabertura depois de mais de cem dias com as portas fechadas por causa da quarentena parcial.

A cidade mais populosa do Brasil, com mais de 12 milhões de habitantes, acumula quase 140.000 casos confirmados e 7.621 mortes pelo novo coronavírus, 618 desses óbitos registradas apenas na última semana, segundo dados oficiais.

Os estabelecimentos poderão abrir seis horas por dia com apenas 40% de sua capacidade, respeitando as medidas de higiene, distância mínima entre as mesas e exibindo seus menus apenas digitalmente ou em outdoors.

"Tá bem difícil", disse à AFP Lucas Santana, um garçom de 25 anos que trabalha em um restaurante do centro de São Paulo. "A gente esperava um movimento um pouco melhor", admitiu o jovem.

Uma de suas clientes, Ivani Trajano, se mostrou aliviada. "Nossa, [tinha] muita vontade de sair. Dá uma sensação de liberdade, né? Estar 3 meses em casa sem sair pra nada é complicado".

Nas fases anteriores, as autoridades já tinham permitido a operação de lojas e shopping centers, porém com algumas restrições. Ela foi anunciada após mais de dois meses de suspensão das atividades, onde apenas serviços essenciais funcionavam, embora não houvesse o confinamento obrigatório da população.

A partir desta segunda, os salões de beleza também podem reabrir suas portas.

- A fase mais aguda já passou? -Apesar de muitos especialistas alertarem que é uma reabertura precoce, as autoridades argumentam que a cidade já está em condições de entrar na "fase amarela" do plano.

"Passada a fase mais aguda, já atingimos o platô [da curva de contágios] e, portanto, é o momento de começarmos a reabrir a atividade econômica", disse no sábado o prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Segundo Covas, prefeito da cidade de São Paulo, a ocupação de leitos em centros de terapia intensiva na capital é inferior a 60%.

Domingos Alves, membro do grupo científico Covid-19 Brasil e professor responsável do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Universidade de São Paulo (USP), adverte no entanto que os números ainda não mostram um retrocesso claro no número de casos e mortes.

"Nenhum país europeu fez qualquer plano de abertura antes que esses indicadores [numero de casos e óbitos], junto com a taxa de ocupação de leitos descaíssem de maneira sustentada por 3 semanas", afirma.

No Rio de Janeiro, que autorizou a reabertura das academias, bares e restaurantes na última quinta, multidões foram registradas em vários bairros no final de semana, com grupos bebendo e se aglomerando sem máscara na calçada dos bares.

As praias também ficaram cheias, mesmo que na fase atual apenas sejam permitidos esportes individuais, tanto na água quanto na areia.

O Brasil, que acumula mais de 210 milhões de habitantes, já tem mais de 1,6 milhão de casos desde o início da pandemia da COVID-19, e está chegando próximo às 65.000 mortes.

As projeções dos especialistas têm o ponto em comum de que o número real de casos pode ser de até dez vezes maior que o registrado oficialmente - justificado pelo fato de não serem realizados testes suficientes -, e, por isso, o número de mortos pelo novo coronavírus seria o dobro do atual.

Devido a suas dimensões como país continental, o vírus se espalhou em proporções diferentes, dependendo da região. Atualmente, o novo coronavírus está migrando das capitais para o interior dos estados.

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