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Títulos do Uruguai se destacam com controle da pandemia no país

Sydney Maki e Ken Parks

02/07/2020 13h01

(Bloomberg) -- Os títulos do Uruguai são os que mostram melhor desempenho na América Latina neste ano. O baixo número de casos de coronavírus aumenta o otimismo de melhor resultado econômico.

O desempenho dos títulos do país com vencimento em 2055 supera o de todas as dívidas soberanas em dólar na América Latina desde janeiro, de acordo com o índice Bloomberg Barclays. A dívida do Uruguai acumula retorno de 11,8% em comparação com a queda de 6,6% do índice.

O Uruguai agiu rapidamente para combater a pandemia, possivelmente evitando uma crise, mesmo quando a América Latina se tornou epicentro das infecções por vírus. O Banco Mundial projeta que a retração da economia do país deve ser equivalente à metade da queda de 7,4% prevista na América do Sul como um todo.

"O Uruguai se destaca", disse Marco Oviedo, economista-chefe do Barclays na América Latina, em relatório. Existem apenas "efeitos moderados na frente fiscal, e esperamos a menor retração na região, devido a uma situação de saúde controlada que impediu a necessidade de recorrer a um bloqueio total".

Os títulos do Uruguai com vencimento em 2036 também se valorizaram neste ano e negociam entre os preços mais altos da América Latina, ficando atrás apenas dos títulos do Peru com vencimento em 2033 e 2050.

Apesar de fazer fronteira com o Brasil, onde os casos somam mais de 1,4 milhão, o Uruguai não registra mais de 100 casos ativos em nenhum momento há quase um mês. O país tem apenas 943 casos confirmados desde o início da pandemia e 28 mortes.

O risco de rebaixamento parece ter diminuído, pois o governo evitou uma política fiscal "ultraexpansiva" para combater a pandemia, disse Santiago Hernández, que administra mais de 109 bilhões de pesos (US$ 2,6 bilhões) no fundo de pensão Afap Sura. Em maio, a Fitch Ratings disse que a dívida do governo geral do Uruguai aumentará para 72% do PIB este ano, bem acima da mediana de 50% para os países com classificação BBB.

Hernández disse que há espaço para maior compressão dos juros na ponta longa da curva dos títulos em dólar do Uruguai, em um cenário em que os Treasuries dos EUA se mantenham estáveis. Os retornos em títulos denominados em peso e atrelados à inflação parecem mais atraentes que os títulos em dólar, afirmou.

Para outros, no entanto, os títulos em dólar começam a parecer muito caros.

"Acho que se adiantou um pouco", disse William Snead, analista do BBVA, em Nova York. "Eles continuam expostos ao Brasil e à Argentina em diferentes frentes, e isso pode ser um pouco preocupante."Enquanto os riscos não se concretizam, o Bank of America recomenda que investidores comprem títulos em dólar do país com vencimento em 2050. O novo governo do Uruguai deve introduzir medidas de austeridade em agosto, o que ajudaria a preservar seu grau de investimento, disseram estrategistas do banco como Lucas Martin em relatório de junho, que chamaram o país de "estrela regional".

©2020 Bloomberg L.P.

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