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Magazine Luiza é a "Amazon brasileira"? Vale a pena investir em suas ações?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

do UOL

01/07/2020 18h20

O Magazine Luiza há algum tempo tem se tornado a queridinha dos investidores de ações, que chegam a chamá-la de "Amazon brasileira"!

Dona de marcas como Netshoes, Zattini, Época Cosméticos e Estante Virtual, as ações da Magalu (MGLU3) parecem que só se valorizam e acumulam alta de mais de 40% nesse ano na data de produção desse conteúdo, abandonando a crise muito antes de ações de várias outras companhias.

Quem investiu em ações MGLU3 no início de 2019 viu suas ações valorizarem mais de 200% ao sair da casa dos R$ 20 para mais de R$ 70 na cotação mais recente.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir essa lenda chamada Magazine Luiza, esclarecer se a empresa é mesmo boa para ser chamada de "Amazon brasileira" e se vale a pena investir em suas ações.

Qual é sua opinião sobre isso?

Enquanto várias empresas sofreram com a paradeira, os números do primeiro trimestre da Magalu impressionam:

  • As vendas totais aumentaram 34% frente ao 1º trimestre de 2019, alcançando R$ 7,7 bilhões;
  • O e-commerce cresceu 73%, atingindo R$ 4,1 bilhões e 53% das vendas totais;
  • Marketplace cresceu 185%, representando 30% do e-commerce total;
  • As vendas nas lojas físicas evoluíram 7% no total;
  • EBITDA ajustado de R$ 274 milhões, margem de 5,2%;
  • Lucro líquido de R$ 30,8 milhões, margem de 0,6%;
  • Posição de caixa total de R$ 4,6 bilhões em mar/20.

Segundo matéria publicada no UOL, "apesar das mais de mil lojas que possui pelo Brasil, o Magazine Luiza hoje em dia tem quase a metade de suas receitas totais oriundas das vendas que faz em seus sites oficiais, o que já levou economistas do Bank of America Merril Lynch e do Credit Suisse a chamarem-no de 'Amazon brasileira', e esses números se mantiveram firmes durante a crise atual".

Com isso, Luiza Trajano, dona de 17% da companhia, "viu sua fortuna saltar dos estimados US$ 1,7 bilhão (R$ 9,2 bilhões) atribuídos a ela em março para os atuais US$ 3,8 bilhões (R$ 20,6 bilhões)".

Voltando a olhar para o Magazine Luiza, será que podemos chamá-la de "Amazon brasileira"?

Lembrando que tanto Magalu como Amazon tiveram uma valorização muito forte, e em resumo, enquanto a Amazon expande seus negócios digitais para o mundo das lojas físicas, o Magazine Luiza nasceu com o modelo de loja de rua e expande cada vez mais seus negócios para o mundo digital, que tem como diferencial a entrega em até dois dias, além da eficiência de toda a operação.

A aposta da Magalu é que o e-commerce vai ganhar cada vez mais corpo e a companhia vai se beneficiar desse movimento, ainda se valendo do alcance de mais de mil lojas físicas espalhadas pelo Brasil.

O modelo que está sendo implementado para usar essa estrutura como um diferencial é que o consumidor poderá comprar produto de qualquer vendedor presente em sua marketplace e retirar em qualquer uma das lojas da rede.

Marketplace é o nome dado para o modelo de vendas online onde não são ofertados apenas produtos vendidos pela própria Magalu, mas também por outros lojistas, que se valem da credibilidade e do grande número de acessos ao site do Magazine Luiza. O modelo, porém, já vem enfrentando concorrências, inclusive de bancos, como o Banco Inter, que tem uma plataforma de vendas dentro do seu aplicativo de internet banking.

É inegável que a lição de casa da Magalu está sendo feita e seus acionistas estão bastante satisfeitos.

A pergunta que fica é se, para o investir, o Magazine Luiza continuará sendo um bom negócio dados os novos desafios impostos? E por que não também ficar de olho em outras ações de concorrentes, como B2W, Americanas e Centauro?

Para discutir sobre isso, no vídeo acima, que fica hospedado para você assistir a hora que quiser, conversei com Lucas Carvalho, analista de investimentos da corretora Toro, que respondeu ao vivo a perguntas dos seguidores do Econoweek. Vale a pena assistir e tirar suas próprias conclusões.

Qual é sua opinião sobre esse assunto? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!

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