PUBLICIDADE
Topo

Plano de Trump: 'histórico' para Israel, rejeitado pelos palestinos

29/01/2020 09h13

Jerusalém, 29 Jan 2020 (AFP) - O projeto americano de paz para o Oriente Médio, que prevê, em particular, a anexação de partes da Cisjordânia ocupada por Israel, recebeu nesta quarta-feira (29) uma acolhida favorável em Israel, teve uma recepção muito hostil nos Territórios palestinos e muito prudente, ou circunspeta, na comunidade internacional.

Na Casa Branca, junto com seu "amigo", o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente americano, Donald Trump, elogiou ontem um projeto, no qual "todos ganham" com uma solução de "dois Estados".

Netanyahu celebrou o plano como "um dia histórico", mas o presidente palestino, Mahmud Abbas, que rejeitou nos últimos meses as ofertas de diálogo de Washington, afirmou que o plano "não passará".

O plano da Casa Branca daria a Israel soberania sobre o Vale do Jordão, uma grande área estratégica da Cisjordânia ocupada desde 1967 onde o Exército israelense acaba de fortalecer sua presença, e que se transformaria na fronteira leste de Israel.

- "Oportunidade única" -"Não, mil vezes não", dizia a manchete do jornal palestino "Al-Hayat al-Jadida" nesta quarta-feira.

"Quem aceitar este plano é um traidor", disse à AFP Firas Ladadwa, um palestino de 23 anos, em Ramallah, na Cisjordânia.

Segundo o plano, Jerusalém continuará sendo "a capital indivisível de Israel". A capital do Estado palestino seria criada nos arredores de Jerusalém Oriental.

Algo inaceitável, afirmam os palestinos.

"É impossível para qualquer criança, árabe ou palestina, aceitar que não se tenha Jerusalém" como capital de um Estado palestino, disse Abbas.

Sua posição é compartilhada pelo Hamas, o movimento islamista que controla a Faixa de Gaza, enclave geograficamente separado da Cisjordânia.

"Velada histórica", dizia o comentarista político Nahum Barnea em seu artigo de opinião no jornal israelense "Yediot Aharonot".

"O plano que leva o nome de Trump fecha um capítulo da história do conflito israelo-palestino, e abre um novo", afirma.

"A história tocou nossa porta ontem à noite e nos deu a oportunidade única de aplicar a lei israelense a todas as colônias na Judeia e em Samaria (nome que as autoridades israelenses dão à Cisjordânia) e no Vale do Jordão", comemorou hoje o ministro da Defesa, Naftali Bennett.

Entre os colonos israelenses, a satisfação gerada pela anexação das colônias fica ofuscada pela menção de um Estado palestino.

"Não deixaremos que se ameace a segurança das localidades na Judeia e em Samaria", afirmou Yisrael Gantz, um dos responsáveis pelas colônias no setor de Ramallah.

Trump disse que o futuro Estado palestino nascerá apenas sob certas condições, entre elas "a clara rejeição ao terrorismo".

A Casa Branca detalhou que o plano propõe um Estado palestino "desmilitarizado", com fronteiras muito afastadas do desejo palestino, ou seja, a totalidade dos Territórios ocupados por Israel em 1967.

- "Absolutamente inaceitável" -O plano de Trump foi recebido de forma mais cautelosa no exterior, ou abertamente crítica.

Hoje, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, classificou o plano americano de "absolutamente inaceitável".

"Jerusalém é sagrada para os muçulmanos. O plano que quer entregar Jerusalém a Israel é absolutamente inaceitável", declarou Erdogan.

Na terça-feira, a ONU havia reiterado seu apoio a que os dois Estados, Israel e Palestina, "convivam (...) dentro das fronteiras reconhecidas, com base nas linhas definidas em 1967".

A Jordânia também apoiou as fronteiras de 1967, enquanto Egito - que, assim como a Jordânia, assinou um acordo de paz com Israel - adotou uma posição prudente, pedindo às duas partes um "exame atento" do plano.

A Arábia Saudita disse "apreciar" os esforços de Trump e pediu negociações diretas entre israelenses e palestinos, enquanto o Irã o considerou "a traição do século".

Nesta quarta, a França insistiu na necessidade de uma solução com dois Estados que respeite o Direito Internacional.

Hoje, estão previstas manifestações nos Territórios palestinos contra o plano de Trump, as quais podem avivar um conflito entre os dois lados.

cgo/mib/vl/me/zm/tt

Notícias