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ONU pede fim da ingerência estrangeira para facilitar trégua na Líbia

18/01/2020 14h02

Berlim, 18 Jan 2020 (AFP) - Os atores internacionais devem parar de interferir no conflito líbio - disse o enviado especial da ONU à AFP, neste sábado (18), na véspera da cúpula internacional sobre o país que acontece em Berlim.

"Toda interferência estrangeira pode ter o efeito de uma aspirina no curto prazo, mas a Líbia precisa do fim de toda interferência estrangeira. Este é um dos objetivos desta conferência", disse Ghassan Salamé em entrevista prévia à reunião em Berlim.

A cúpula de domingo que reunirá os líderes de potências mundiais e países envolvidos no conflito líbio tem como objetivo, entre outros pontos, "consolidar o cessar-fogo".

"Porque hoje temos simplesmente uma trégua. Queremos transformá-la em um verdadeiro cessar-fogo com observação, separação (das partes em confronto), reposicionamento das armas pesadas (fora das zonas urbanas), etc.", explicou Salamé.

Em lados opostos no conflito líbio estão as forças leais ao chefe do Governo de União Nacional (GNA) reconhecido pela ONU, Fayez al-Sarraj, e as do homem forte do leste do país, Khalifa Haftar, cujas tropas tentam tomar a capital Trípoli há nove meses.

Ambos foram convidados a assinar um acordo de cessar-fogo na última segunda-feira, em Moscou. Diferentemente de Al-Sarraj, Haftar partiu da capital russa sem fazê-lo.

- Petróleo bloqueado -Hoje, horas antes do início da cúpula sobre a Líbia em Berlim, forças leais ao marechal Haftar bloquearam os principais terminais petroleiros no leste do país, anunciou a Companhia Nacional de Petróleo (NOC).

Em um comunicado, a NOC anunciou a suspensão das exportações nos portos petroleiros que são o motor da economia líbia: Brega, Ras Lanuf, Al-Sedra e Al-Hariga. Este bloqueio fará a produção nacional cair de 1,3 milhão de barris diários (mbd) para 500.000 bd, segundo a companhia.

Um grupo ligado a Haftar, homem forte do leste da Líbia, convocou ontem o bloqueio das exportações petroleiras do país, para protestar contra a intervenção turca em apoio às forças do Governo de União Nacional (GNA) reconhecido pela ONU, que Haftar enfrenta.

Antes do anúncio dos bloqueios, o enviado da ONU disse à AFP não descartar motivações políticas com esse chamado.

"Nossa linha é clara na ONU. Não tem que jogar com o petróleo, porque é o sustento dos líbios. Sem petróleo, os líbios morrem de fome", advertiu Salamé.

- Advertência turca -Em artigo publicado no site Politico neste sábado, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, advertiu a Europa contra novos problemas e ameaças, incluindo por parte de organizações terroristas, se o governo líbio com sede em Trípoli cair.

"A Europa encontrará uma nova série de problemas e ameaças, se cair o governo legítimo da Líbia", escreve Erdogan.

"Organizações terroristas como EI [Estado Islâmico] e Al-Qaeda, que sofreram uma derrota militar na Síria e no Iraque, encontrarão solo fértil para se pôr de pé", acrescenta.

Liderado por Fayez al-Sarraj, o GNA é atacado desde abril passado pelas forças leais ao marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste da Líbia. Mais de 280 civis e 2.000 combatentes morreram nos confrontos.

A Turquia apoia Al-Sarraj, e seu Parlamento aprovou, no início do mês, o envio de tropas para a Líbia, após a assinatura do polêmico acordo marítimo e de segurança entre Trípoli e Ancara.

"Deixar a Líbia à mercê de senhores da guerra seria um erro de proporções históricas", afirmou Erdogan, em uma alusão velada a Haftar.

Vários países estarão representados no domingo na conferência de Berlim, entre eles, Rússia, Turquia, Estados Unidos, China, Itália e França.

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