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Após óleo vazar, mortalidade de corais cresce 10 vezes na BA, diz estudo

Óleo em praia de Salvador, na Bahia - Antonello Veneri / AFP
Óleo em praia de Salvador, na Bahia Imagem: Antonello Veneri / AFP
do UOL

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

26/11/2019 04h01

Resumo da notícia

  • Pesquisa da UFBA diz que, após chegada do óleo, corais estão morrendo mais rápido no litoral da Bahia
  • "Branqueamento" dos corais, entre 5% e 6% ao ano, chegou a 52% nos recifes da Praia do Forte, Itacimirim, Guarajuba e Abaí
  • O estudo também constatou uma queda de 66% no organismos vivos que vivem nos recifes de corais

Um estudo realizado pelo Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) constatou que, em outubro, após o derramamento de óleo que atingiu a costa brasileira, a mortalidade de corais no litoral norte baiano aumentou dez vezes.

A pesquisa foi conduzida pelo professor Francisco Kelmo, diretor do instituto, e comparou dados coletados em outubro com o mês de abril deste ano.

De acordo com os biólogos da UFBA, a chamada taxa de "branqueamento" dos corais, que normalmente atinge entre 5% e 6% dos organismos por ano, está em 52% nos recifes das regiões da Praia do Forte, Itacimirim, Guarajuba e Abaí.

"O branqueamento é uma forma de se reconhecer que o coral está doente. Ele perde sua cor natural e fica esbranquiçado, indicando que seu corpo não está funcionando corretamente. Na área estudada, o branqueamento pode ocorrer por excesso de exposição à radiação solar ou quando há elevação da temperatura da água do mar. Mas, neste caso, apenas a presença do óleo cru foi detectada", diz Kelmo ao UOL.

Corais são importantes para mar e economia

Os recifes de corais são ecossistemas imprescindíveis para o funcionamento da vida marinha e para a estrutura econômica de comunidades pesqueiras. De acordo com o ministério do Meio Ambiente, uma em cada quatro espécies marinhas habita os recifes, incluindo 65% dos peixes.

"Se o coral morre, parte do recife morre com ele", argumenta o diretor do Instituto de Biologia da UFBA. "Se esta mortalidade for elevada, o ambiente entra em declínio, e as espécies perdem sua casa e alimento", diz.

Divulgado ontem, o estudo também constatou:

  • Perda na diversidade de espécies; antes da chegada do óleo havia um número médio de 88 espécies, e após o derramamento esse número caiu para 47;
  • Queda no número de organismos vivos nos recifes de 446 indivíduos para 161;

"Este números indicam que houve perda de patrimônio natural: redução no número de animais, redução na diversidade de animais e aumento das doenças/mortalidade nos corais. Assim, compromete a cadeia alimentar, causa desequilíbrio ecológico, e precisa ser monitorado continuamente pelos próximos 6 meses", diz o estudo.

Os organismos vivos citados no estudo são classificados de "invertebrados bentônicos": em suma, todos os animais sem vértebras (camarões, ostras, mexilhões, etc) que moram no fundo do recife, presos nos corais ou que se movem sobre ele. Foram analisadas amostras de 35 metros quadrados por praia (140 metros quadrados ao todo), e os valores apresentados nas conclusões se referem à média de espécies/animais.

Este tipo de análise é feita anualmente desde 1995 pelo Centro de pesquisa em Ecologia Marinha e Costeira (Cepemac), órgão vinculado ao Instituto de Biologia da UFBA e referência de estudos de recifes de corais no Brasil.

"O óleo é uma substância muito tóxica, com vários componentes danosos a saúde dos animais (benzeno, xileno, tolueno, metais pesados, etc)... estes compostos podem matar os animais por asfixia (falta de ar) ou envenenamento alimentar. Quando não mata os animais, causa doenças que enfraquecem a reprodução ou impedem os animais de executarem suas funções diárias corretamente, levando-os ao adoecimento seguido por morte, de curto ou de longo prazo", completa o pesquisador.

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