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CIDH afirma que "não há dúvidas" sobre violações de direitos durante crise no Chile

19/11/2019 22h48

Santiago, 20 Nov 2019 (AFP) - "Não há dúvida" da existência de violações dos direitos humanos durante as manifestações sociais que atingem o Chile há um mês, disse Paulo Abrão, secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"Sobre as violações aos direitos humanos, não há dúvida de que elas existiram. A questão agora é medir qual foi seu alcance, apurar suas devidas responsabilidades e também identificá-las, em vez de generalizar uma situação", disse Abrão, que visita o Chile para obter informações sobre as dezenas de queixas sobre violações causadas por agentes de segurança durante os protestos.

Após um mês de crise social, 22 pessoas morreram, milhares ficaram feridas e mais de 200 manifestantes apresentam ferimentos graves nos olhos, por conta dos disparos da polícia, também criticada pelo uso indiscriminado de água e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou nesta terça, em Londres, a "brutalidade policial" utilizada em alguns países para reprimir protestos contra a "desigualdade" social, e pediu que os líderes "escutem as críticas".

Citando países como o Chile (que presidiu em 2006-2010 e 2014-2018), Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, França, Hong Kong, Líbano, Rússia e Espanha, Bachelet destacou a multiplicação este ano dos protestos nas ruas.

"Isto sugere que um movimento muito amplo está em andamento e que há uma falha fundamental na política e na economia contemporâneas", afirmou Bachelet, atribuindo as manifestações à crescente "desigualdade" econômica e social e à "percepção de um déficit democrático".

Na segunda-feira, o representante da CIDH iniciou reuniões com autoridades governamentais e também com o Instituto Nacional de Direitos Humanos (NHRI), que apresentou mais de uma centena de ações judiciais por abuso de agentes do governo.

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