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Piñera garante que não haverá impunidade contra agentes que cometeram abusos

17/11/2019 22h47

Santiago do Chile, 17 nov (EFE).- O presidente do Chile, Sebastián Piñera, garantiu neste domingo que não haverá impunidade para os responsáveis por atos de violência durante a onda de protestos no país em que 23 pessoas morreram, e se referiu, inclusive, para agentes públicos.

"Lamentavelmente, e apesar do firme compromisso e todas as precauções que tomamos para proteger os direitos de todos, em alguns casos os protocolos não foram respeitados, houve uso excessivo da força, foram cometidos abusos ou crimes e não foram respeitados os direitos de todos", disse o chefe de governo, em entrevista coletiva.

"Estão sendo investigados por processos administrativos das Forças Armadas ou da ordem, ou pelo Ministério Público. Que sigam sendo investigados, para que, diante do peso do assunto, possam ser conhecidos e julgados por nossos tribunais de justiça", completou.

Piñera expressou "solidariedade e condolências" aos familiares das pessoas que morreram nos protestos, e também dirigiu palavra de apoio aos manifestantes e agentes das forças de segurança que ficaram feridos durante confrontos.

Até o momento, foram registrados 23 mortes, sendo seis de estrangeiros, em cerca de um mês de protestos. O Instituto Nacional de Dereitos Humanos do Chile aponta ainda que 2.381 pessoas ficaram feridas, sendo 217 com tiros com artefatos de dispersão em um dos olhos.

Piñera ainda falou sobre o processo de aprovação de uma nova Constituição, demanda dos manifestantes, que substituirá o texto redigido ainda na ditadura de Augusto Pinochet, na década de 80. Um plebiscito irá decidir sobre o modelo que será adotado.

"Se a população assim decidir, avançaremos para uma nova Constituição, a primeira elaborada em plena democracia e aceita e respeitada por todos", garantiu o presidente.

No plebiscito, caso os cidadãos optem pela elaboração do novo texto, serão apresentados diferentes tipos de formas de elaborá-la, por "Assembleia Mista Constitucional", composta 50% por parlamentares e 50% por eleitos apenas para a constituinte; ou por "Assembleia Constitucional", com 100% de escolhidos apenas com o objetivo de atuar na redação do texto.

Uma eleição para escolher os representantes na elaboração da nova Constituição, independente da escolha feita pela população, aconteceria em outubro de 2020, junto com as eleições regionais e municipais no Chile.

Uma vez redigida a nova Carta Magna, o texto será submetido a um novo plebiscito. EFE

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