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Populações de Gaza e Israel no fogo cruzado de novos confrontos

12/11/2019 21h01

Rishon LeZion, Israel, 13 Nov 2019 (AFP) - Israelenses e palestinos enfrentam com medo a nova escalada entre o Estado Hebraico e Gaza, e esperam que os ataques aéreos e os lançamentos de foguetes palestinos não degenerem em um sério conflito militar.

As sirenes de alarme soaram nesta terça-feira (12) em várias cidades no sul de Israel, e depois em Tel Aviv.

Em resposta ao assassinato em Gaza de um importante comandante da Jihad islâmica, dezenas de foguetes foram lançados do enclave palestino para Israel, onde escolas e universidades suspenderam as aulas.

Em Rishon Lezion, cidade próxima a Tel-Aviv pouco acostumada à chuva de foguetes, um projétil caiu numa rua próxima a um bairro de casas de luxo.

As ruas ficaram desertas. No shopping da região, uma placa anunciava que o local ficaria fechado "seguindo as instruções das autoridades".

Na calçada em frente a um café que estava fechado, Nelly, de 31 anos, era a única a ocupar uma mesa.

"Preferi sair de casa. Você tem que tentar viver normalmente", disse a jovem à AFP, enquanto lia um livro tranquilamente no local.

Numa mercearia, um casal de Ashdod, localidade situada entre Tel-Aviv e o posto fronteiriço de Erez, porta de entrada de Gaza, faz compras.

"Estamos acostumados a isso; portanto, para arejar nossas ideias, viemos aqui, mas não temos medo", afirma Simon.

"Assim é a vida. Não vamos parar de viver por alguns foguetes", acrescentou.

- Escudo antimísseis - Alguns cidadãos filmam a fumaça deixada no céu pelos foguetes que acabaram de ser pulverizados pelo escudo antimísseis israelense. Um dos projéteis, no entanto, estava prestes a cair numa rodovia ...

Ruty, de 62 anos, muito calmo, pensa especialmente em seus compatriotas que vivem mais ao sul, perto da fronteira com Gaza. "Eles, os pobres, vivem isso diariamente. Quando é a nossa vez, não temos o direito de reclamar ...".

Precisamente mais ao sul, em Sdérot, cidade israelense mais próxima da Faixa de Gaza, Netanel acordou com a notícia da morte de Baha Abu Al Ata, comandante do setor norte da Jihad Islâmica no enclave palestino.

"Nós comemoramos", declara. "Apoiamos claramente Bibi Netanyahu (Benjamin, o primeiro-ministro) e nossos soldados".

- "Assassinato" -Em Gaza, de onde vêm os foguetes, a população teme uma nova escalada. Acima de tudo, porque a aviação israelense continuou a bombardear posições da Jihad Islâmica, segundo o o exército hebreu, nesta terça-feira.

O movimento islâmico Hamas, que controla Gaza e Israel, já travou três guerras desde 2008. O enclave está submetido a um rígido bloqueio israelense por terra, ar e mar desde 2007.

"As forças de ocupação querem uma nova guerra em Gaza para salvar Netanyahu e é por isso que os sionistas cometeram esse assassinato", diz Amin Dallul, 31 anos, residente de Gaza.

Ele afirma que a operação contra o comandante da Jihad Islâmica é o produto de uma conspiração traçada por Netanyahu, que pode ser acusado pela justiça nas próximas semanas por "abuso de confiança" e "peculato".

Abir Hassan, uma mulher de 37 anos, prefere não se aprofundar nos meandros da política israelense, mas diz que teme uma escalada nos confrontos. "Temos medo. Não queremos outra guerra", afirma.

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