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Deputado opositor que convocou protestos na Venezuela tem imunidade retirada

22/10/2019 20h47

Caracas, 22 Out 2019 (AFP) - A Assembleia Constituinte da Venezuela retirou nesta terça-feira a imunidade parlamentar do deputado opositor Juan Pablo Guanipa e autorizou o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) a processá-lo por "traição à pátria".

Essa instância, que rege com poderes absolutos e é composta apenas por membros do chavismo, aprovou por unanimidade um acordo que "busca saciar a demanda de justiça" dos afetados por "guarimbas terroristas", como os governistas se referem aos protestos contra o governo do socialista Nicolás Maduro.

"Aprovado!", afirmou a deputada Tania Díaz em meio a aplausos, aludindo à medida que já foi aplicada a outros 15 deputados acusados de participar em um levantamento militar contra Maduro no último 30 de abril.

A decisão chega depois de Guanipa convocar protestos para a próxima quinta-feira para denunciar a situação de Zulia (oeste), estado petroleiro afetado por apagões de até 12 horas por dia e escassez de combustível, água e gás doméstico.

O chavismo também convocou mobilizações para esse dia.

"Aos guarimberos (...) que querem voltar à violência, o que os espera é a prisão", ameaçou Maduro nesta terça, sem mencionar Guanipa.

As manifestações por Zulia, previstas em vários estados, são apoiadas pelo chefe parlamentar Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por meia centena de países e que também teve sua imunidade retirada em abril passado.

"O regime evidencia seu temor à mobilização nas ruas, às convocatórias deste 24 de outubro em solidariedade com Zulia (...). Arremetem contra Juan Pablo Guanipa por sua liderança em defesa dos zulianos. Todo o nosso apoio. Seguimos firmes", tuitou Guaidó.

Embora na Venezuela a retirada da imunidade parlamentar deva ser decidida pelo Legislativo - o único poder nas mãos da oposição - a máxima corte, de linha governista, declara nulas todas as suas atuações por considerar que a câmera está em "desacato".

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