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Morales e Mesa encerram campanha na Bolívia

17/10/2019 00h01

El Alto, Bolívia, 17 Out 2019 (AFP) - O presidente Evo Morales pediu nesta quarta-feira aos bolivianos que "não o abandonem" nas eleições do próximo domingo, as mais difíceis em seus 13 anos no poder, quando enfrentará o ex-presidente Carlos Mesa, que se aproxima nas pesquisas.

"Peço mais cinco anos para terminar nossas grandes obras", disse Evo Morales em El Alto, na região de La Paz.

"Não me abandonem em 20 de outubro", disse Morales em um comício que reuniu militantes de organizações sociais e coloriu El Alto de azul, as cores do partido governista MAS.

Carlos Mesa encerrou sua campanha em Santa Cruz, convocando os eleitores para "em 20 de outubro derrotar o autoritarismo de quase 14 anos" imposto por Morales, enquanto a multidão gritava "De-mo-cra-cia!".

"Estas são as eleições mais injustas da história porque estão controladas por um partido que governa há 13 anos e ocupa todos os poderes", denunciou Lola Terrazas, candidata a deputada em Santa Cruz e descendente aimara.

A oposição questiona sobretudo a intenção autocrática de Morales de tentar a terceira reeleição depois de ter perdido em 2016 um referendo no qual os bolivianos rejeitaram que ele voltasse a disputar eleições.

No entanto, seguidores e adversários deste ex-líder cocaleiro de esquerda admitiram que seu modelo econômico, propiciado pelo boom das commodities, graças às compras da China, abriu um longo capítulo de bonança neste país exportador de gás natural.

Uma missão de observadores da Organização de Estados Americanos em visita ao país pediu para manter a harmonia, após uma escalada de tensões faltando quatro dias para as eleições. "É natural que haja divergências, disso se trata um processo eleitoral democrático, mas não atos de violência", afirmou o chefe da missão da OEA, Manuel González.

A mais recente pesquisa da Universidade Mayor de San Andrés de La Paz e outras organizações indicou que Morales teria 32% dos votos no primeiro turno contra 27% de seu principal adversário, o ex-presidente Carlos Mesa da aliança do centro Comunidade Cidadã.

"Este é um momento no qual temos que decidir entre o caminho autoritário da ditadura e o caminho da construção democrática", advertiu Mesa na terça-feira, em comício em La Paz para milhares de seguidores.

Parte do aumento nas intenções de voto de Mesa nas últimas semanas se deve ao impacto dos gigantescos incêndios que em agosto e setembro queimaram na Bolívia uma área imensa de mata nativa. Os incêndios provocaram revolta entre ambientalistas e comunidades indígenas, que acusam Morales de ter traído seu compromisso com a 'Pachamama', a Mãe Terra, a favor de ampliar territórios para a exploração da soja e da pecuária.

Morales defende sua candidatura, baseado na redução da pobreza e nas altas taxas de crescimento, que mesmo em declínio, situam-se em 4,2% atualmente, e diz que com qualquer outro candidato vão se perder os direitos sociais neste país de 11 milhões de habitantes, que está entre os mais pobres da região.

Na véspera, em Santa Cruz, o presidente acusou seus adversários de querer somar a Bolívia ao chamado "Grupo de Lima", formado por uma dúzia de países latino-americanos e o Canadá, no qual - segundo ele - "estão presidentes e governos submissos aos Estados Unidos (e são) governos privatizadores".

- Bonança insustentável -Em El Alto, planície a 4.000 metros de altitude vizinha a La Paz, milhares de "hermanos" expressaram seu apoio no último ato eleitoral para a votação de domingo.

Esta cidade de migrantes, majoritariamente aimaras, é um claro reflexo do crescimento da economia do país, aonde chegaram nos últimos anos milhares de camponeses e indígenas que abandonaram as províncias para ir trabalhar na indústria da construção, de farinha, em laboratórios e fábricas de alimentos processados.

"Claro que passamos por um bom período econômico e votei em Morales porque houve estabilidade política, mas agora tem que sair. Ele não é dono do país e já tem muita corrupção", disse Evangelina, enfermeira de 55 anos, moradora de El Alto.

"É difícil negar que, até pouco tempo atrás, a economia da Bolívia tivesse desempenhado muito bem sob (o governo de) Evo Morales", disse à AFP Michael Shifter, presidente do centro de análise Diálogo Interamericano, baseado em Washington.

Shifter enumerou entre os feitos destes anos as altas taxas de crescimento, uma forte redução da pobreza e um nível recorde de reservas, "mas com a queda dos preços das matérias-primas, o governo Morales se viu obrigado a pedir mais empréstimos e reduzir as reservas para tentar manter os bons tempos".

"O modelo econômico boliviano teve êxito durante alguns anos, mas não é mais sustentável", afirmou o analista.

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