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Reino Unido e UE correm contra o tempo na negociação do Brexit

16/10/2019 18h33

Bruxelas, 16 Out 2019 (AFP) - As equipes negociadoras da União Europeia (UE) e do Reino Unido se encontram reunidas, nesta quarta-feira (16), em negociações para tentar desbloquear o Brexit, na véspera de uma cúpula europeia crucial para afastar o temido divórcio sem acordo em 31 de outubro.

O vento do otimismo que soprava no bloco durante a tarde, com os líderes da França, Emmanuel Macron, e da Alemanha, Angela Merkel, indicando que estavam próximos de um acordo, perdeu intensidade durante a noite.

"Bons progressos e o trabalho continuam", resumiu à noite o negociador europeu Michel Barnier, depois de se encontrar com os embaixadores dos países do bloco. Segundo uma fonte europeia, a UE estaria aguardando a aprovação de Londres.

O tempo urge. O Brexit está previsto para 31 de outubro, mas Londres tem até sábado para conseguir um pacto com a UE. Caso contrário, deve pedir uma nova prorrogação, conforme imposto por uma lei do Parlamento britânico adotada em setembro.

O ministro britânico para o Brexit, Steve Barclay, confirmou nesta quarta aos deputados a vontade do Executivo de cumprir a lei, mas reiterou sua aposta em deixar o bloco no fim do mês. Com este objetivo, seguem "negociações intensas".

Londres e Bruxelas decidiram na sexta-feira dar um novo impulso às negociações para tentar alcançar um acordo antes da cúpula prevista para quinta e sexta na sede da UE, evitando assim uma negociação durante o encontro dos líderes dos países do bloco.

Os negociadores tentam buscar uma solução para garantir um comércio fluido de bens entre Irlanda, país da UE, e a província britânica da Irlanda do Norte, territórios que já gozam da livre-circulação de seus cidadãos entre ambos países.

- A armadilha do IVA -A base das discussões é a proposta apresentada pelo governo Johnson, que herdou de sua antecessora Theresa May um acordo de divórcio que seu Parlamento rejeitou, entre outros pontos pela questão irlandesa

Johnson abandonou a ideia de manter todo o Reino Unido em uma união alfandegária com a UE enquanto buscava uma solução melhor no âmbito da negociação de um acordo de livre comércio, mas o novo plano levantou dúvidas.

O primeiro-ministro britânico "modificou a proposta original para que não exista uma fronteira alfandegária na Irlanda, disse nesta quarta uma fonte europeia, deixando na prática a Irlanda do Norte numa união alfandegária com a UE.

Isso pode gerar atritos com seus aliados unionistas, que são contrários à independência da Irlanda do Norte, que não querem ver o estabelecimento de uma fronteira para mercadorias entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, na ilha da Grã-Bretanha.

"Tem que ser um acordo sensato que os unionistas e os nacionalistas possam apoiar", alertou a líder do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) irlandês, Arlene Foster, um apoio fundamental dos conservadores de Johnson em Westminster.

Mas o novo plano permitiria a Johnson recuperar sua liberdade para fechar acordos comerciais com países terceiros, em vez de defender ficar perto da UE como May, segundo outra fonte diplomática.

Um veto dos unionistas da Irlanda do Norte, que Londres procurou convencer ao conceder ao Parlamento autônomo desta província o direito de vetar a cada quatro anos para decidir se continuarão a respeitar as regras do mercado único europeu, deixaria perto um acordo final.

A duas semanas do Brexit, os europeus querem evitar o cenário vivido com May, que não conseguiu que o Parlamento britânico aprovasse o acordo fechado em novembro com a UE, e por conta disso não descartam uma prorrogação no prazo para o divórcio.

No entanto, essa prorrogação estaria sujeita às possibilidades de um acordo ou de uma mudança política em Londres, como novas eleições ou um segundo referendo, caso um pacto não seja alcançado. A UE não descarta neste contexto outra cúpula antes do final do mês.

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