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Lideradas por artistas, manifestantes caminham de Ipanema ao Leblon pela Amazônia

Mariana Durão

Rio

25/08/2019 18h58

Com cartazes pedindo o fim da destruição da Amazônia e entoando coros de "Fora Salles", "Viva a natureza" e "Bolsonaro sai, Amazônia fica" manifestantes se reuniram neste domingo, 25, na orla do Rio para protestar contra a política ambiental do governo Jair Bolsonaro e a destruição da Amazônia.

O grupo formado por muitas famílias, ativistas, políticos e artistas se reuniu no início da tarde em Ipanema e caminhou até o Leblon, na zona sul do Rio. A "comissão de frente" da marcha foi formada por Caetano Veloso, Maitê Proença, Antonio Pitanga, Criolo, o jornalista do The Intercept Glenn Greenwald, os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ) e David Miranda (PSOL-RJ), companheiro de Glenn.

Também estavam presentes os atores Patrícia Pillar, Luisa Arraes, Maria Padilha, Mateus Solano, Patrycia Travassos, Caio Blat, Gregório Duvivier, Alinne Moraes, Paula Burlamaqui e Nanda Costa, entre outros. Os organizadores estimaram a presença de 15 mil pessoas no protesto.

"Estou aqui porque estamos defendendo a causa do meio ambiente contra as decisões e as coisas que são ditas pelo poder incumbente do Brasil agora. Nesse momento, com as queimadas na Amazônia e a repercussão mundial, a gente vê o caso muito explicitado e está se articulando. É importante (a repercussão internacional) para que os dirigentes tomem consciência", disse Caetano.

Molon disse que propôs ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em conjunto com outros dois deputados, a instalação de uma comissão no Dia da Amazônia (5 de setembro). A comissão funcionaria como uma espécie de audiência pública para discutir questões ligadas à preservação da floresta. Ele também iniciou a coleta de assinaturas para a instauração de uma CPI da Amazônia. "O governo Bolsonaro tem uma visão atrasada sobre o papel do meio ambiente em relação ao desenvolvimento econômico. Para ele ou se tem desenvolvimento ou se tem meio ambiente", criticou Molon.

O ato foi organizado pelo #342 Amazônia, um aplicativo lançado este ano em uma parceria entre o Greenpeace, o coletivo Mídia Ninja e o movimento 342, criado pela empresária Paula Lavigne para defender pautas progressistas no Congresso. A primeira mobilização foi contra um decreto do ex-presidente Michel Temer permitindo a mineração em parte da Amazônia.

Em pronunciamento em rede nacional na sexta-feira, 23, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou medidas de combate às queimadas na região amazônica com ajuda das Forças Armadas. Bolsonaro autorizou que militares atuem no combate ao fogo e contra o desmatamento ilegal, a pedido dos governadores, em operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), usada em situações excepcionais.

Na transmissão acompanhada por "panelaços" em cidades como São Paulo e Rio, o presidente disse que os incêndios florestais não podem ser pretexto para sanções internacionais. Enquanto líderes do G-7 discutiam a questão da Amazônia, Bolsonaro voltou a falar em ataque à soberania nacional. Em seu Twitter, o presidente afirmou neste sábado, 24, que "dói na alma ver brasileiros não enxergando a campanha fabricada contra a nossa soberania na região".

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