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Governo é corresponsável por incêndios na Amazônia, diz vocalista do Natiruts

25/08/2019 17h24

Madri, 25 ago (EFE) - O governo do presidente Jair Bolsonaro é corresponsável pelo agravamento dos recentes incêndios na Amazônia, pois "demorou para tomar providência" contra o problema, afirmou o vocalista do Natiruts, Alexandre Carlo, em Madri, onde a banda de reggae se apresenta neste domingo.

"Desmatamento sempre houve no Brasil. Mas o que fez com que alguns artistas se posicionassem foi a demora do governo federal em tomar providência", ressaltou o cantor em entrevista à Agência Efe antes do show, o segundo do grupo na capital espanhola, onde não se apresentava desde 2009.

"(A Amazônia) ficou queimando por cerca de uma semana, e o presidente declarando que foram as ONGs. É corresponsável por não agir rapidamente neste caso", afirmou Carlo.

No último show do grupo, em Paris, na última sexta-feira, o vocalista reforçou ao público a importância do "cuidado à Amazônia" e da mensagem de que todos os povos "se unissem pelo bem". No mesmo dia, Bolsonaro anunciou em rede nacional de rádio e televisão o envio das Forças Armadas para combater focos de incêndio.

Na entrevista à Efe, Carlo disse também que preocupam muito as "desinformações" dos jovens sobre a recente crise ambiental e que, no longo prazo, "toda a humanidade" será prejudicada. Ele também defendeu um modelo econômico que concilie desenvolvimento e preservação ambiental.

"É problemática a falta de consciência (do governo brasileiro) de que a gente precisa preservar, entrar em um acordo entre o desenvolvimento, entre os ruralistas, e a preservação do meio ambiente. Não podemos demonizar o Ibama, os ambientalistas", opinou.

Em turnê pela Europa, onde passou por Portugal, Suíça e França, o grupo divulga o mais recente álbum de estúdio, "I Love", lançado em dezembro do ano passado e que conta com duas músicas com versões em espanhol - a que dá nome ao álbum e "Deliram".

A intenção, segundo Carlo, foi "presentear" o público latino que fala espanhol, mas a banda não tem pretensões de gravar um álbum totalmente em outra língua.

"É a primeira vez que temos músicas em espanhol. Foi mais como um 'regalo' (presente, em espanhol), como dizem na América do Sul. Porque, na verdade, os latinos que falam espanhol gostam de ouvir o sotaque do brasileiro", argumentou.

O último álbum tem nove canções e traz referências sonoras de Angola em uma música com participação de Gilberto Gil, "Verde do Mar de Angola", e de ritmos da América Central, como a salsa. A capa do álbum traz uma ilustração de duas mãos negras entrelaçadas, com elementos da natureza ao redor, como borboletas e flores, e que é uma "metáfora da origem jamaicana do reggae", segundo Carlo.

Na terça-feira, dia 27, o grupo se apresentará em Barcelona. Nos dias 13 e 14 de setembro, estará em Buenos Aires, e em 4 e 5 de outubro, na Cidade do México e em Guadalajara, respectivamente.

Em paralelo às apresentações, a banda trabalha na gravação de um documentário, intitulado "América Vibra", sobre colaborações com artistas pelas cidades em que se apresenta pelo mundo. EFE

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