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Itália vai a cúpula do G7 em meio a crise política e sem agenda clara

22/08/2019 21h52

Laura Serrano-Conde.

Roma, 22 ago (EFE).- A Itália estará presente na cúpula do G7 que acontecerá a partir deste sábado na cidade de Biarritz, na França, em meio a uma crise política que teve como ponto mais agudo a renúncia do primeiro-ministro, Giuseppe Conte, e que está impedindo que o país dê a devida atenção a um evento de política externa tão relevante.

O governo italiano não definiu uma agenda de temas que queira debater no encontro do grupo dos sete países mais desenvolvidos e também não sabe quem serão os integrantes da delegação que irá a Biarritz representar o país.

Pouco se fala de G7 na Itália, pois o país está concentrado em como resolver a crise aberta com o rompimento entre o partido ultradireitista Liga e o Movimento 5 Estrelas (M5E), que estavam coligados no governo.

O ministro da Economia, Giovanni Tria, se reuniu nos últimos dias com o líder do M5E e titular da pasta de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Luigi di Maio, para analisar a situação econômica italiana e internacional, a desaceleração do crescimento na Alemanha e os riscos derivados da saída do Reino Unido da União Europeia e da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, assuntos que certamente serão tratados em Biarritz.

A Itália participou da edição do ano passado da cúpula do G7, no Canadá, também sem nenhuma postura claramente definida. Jurista e sem experiência política, até então, Conte liderava um governo populista e que havia tomado posse uma semana antes do evento.

Desde então, o país viveu um ano de relações tensas com o restante dos integrantes do grupo, começando pela aproximação com a Rússia e o apoio à China na chamada 'Nova rota da seda', mas também pelo elevado déficit estrutural, que quase levou os italianos a serem punidos pela União Europeia.

Quando tinha apenas uma semana no cargo de premiê, Conte se mostrou a favor de aceitar a Rússia no grupo, uma postura que à época era defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O governo italiano também defendeu em diversas ocasiões a necessidade de que a UE derrube as punições econômicas contra a Rússia. Conte e o líder da Liga, ministro do Interior e vice-presidente do Governo, Matteo Salvini, se reuniram em diversas ocasiões com o presidente russo, Vladimir Putin, em Roma e em Moscou.

Quanto à China, em março, a Itália assinou um memorando de entendimento com o gigante asiático para se juntar ao enorme projeto para incentivar o comércio com o Ocidente, a chamada 'Nova rota da seda', enxergando uma grande oportunidade de negócio.

As negociações foram feitas durante uma visita do presidente da China, Xi Jinping, a Roma, ignorando as dúvidas que o projeto gera dentro da União Europeia.

A Itália está sofrendo uma crise política delicada em um momento também sensível para sua economia, estagnada no segundo trimestre do ano. Alguns analistas acreditam que ela deverá terminar 2019 com um crescimento de apenas 0,1%, um número efêmero para um país com uma dívida que passa de 132% do PIB - a segunda mais alta da zona do euro, depois da Grécia. EFE

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