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Por que Japão não consegue resgatar idoso que caiu em cratera há 4 dias

Bombeiros trabalham para resgatar um motorista de caminhão preso em uma cratera após deslizamento em Yashio, no Japão - STR/AFP
Bombeiros trabalham para resgatar um motorista de caminhão preso em uma cratera após deslizamento em Yashio, no Japão Imagem: STR/AFP
do UOL

Colaboração para o UOL

31/01/2025 12h00

Um motorista de caminhão de 74 anos segue preso em uma cratera na província de Saitama, ao norte de Tóquio, desde terça (28). A operação de resgate já entrou em seu quarto dia, informou o serviço internacional da emissora japonesa NHK na manhã de sexta (31).

O que aconteceu

Caminhão foi engolido pela cratera após deslizamento de terra em um cruzamento da via onde ele passava no município de Yashio. Outro trecho da pista cedeu pouco depois e a cratera acabou se expandindo, com os dois buracos no solo se fundindo.

Não há informações sobre o estado de saúde do motorista. O último contato que bombeiros conseguiram com o homem foi na terça, mas a comunicação foi perdida após novos deslizamentos que enterraram o caminhão sob solo e escombros, segundo a NHK.

Bombeiros ainda não haviam conseguido reestabelecer contato até meio-dia desta sexta (horário local), informou o jornal The Japan Times. Lama e outros destroços já formam uma pilha que atinge cerca de oito metros de altura até o momento; a operação de resgate passou revezes nos últimos dias com novos deslizamentos, segundo a BBC.

A área do colapso se expandiu para várias vezes o tamanho original e se tornou mais profunda, tornando as operações significativamente mais desafiadoras. Estamos tomando todas as precauções para garantir a segurança, enquanto trabalhando urgentemente para localizar o homem desaparecido. Corpo de Bombeiros de Yoshio ao Japan Times na quinta.

Autoridades japonesas estimam que a cratera tenha nesta sexta pelo menos 15 metros de profundidade, mas inicialmente eram apenas cinco metros. Casas da região foram evacuadas para garantir a segurança da população também em torno do local do acidente.

Na quinta (30), a água do esgoto dentro da cratera foi drenada. Então a equipe de resgate começou a cavar uma ladeira que permitiria a entrada de maquinário pesado para a retirada dos escombros sem o risco de um novo deslizamento.

O trabalho para reforçar o solo para a criação da ladeira de 30 metros de comprimento e quatro metros de largura já dura dias. O time envolvido na operação manteve os esforços durante a madrugada, mas a água voltou a correr dentro da cratera nesta sexta (31), de acordo com a NHK.

Bombeiros trabalham para resgatar um motorista de caminhão preso em uma cratera apóso deslizamento em Yashio, no Japão - PHILIP FONG/AFP - PHILIP FONG/AFP
A região é instável e novos colapsos, além do fluxo de água, atrapalham a retirada do homem da cratera
Imagem: PHILIP FONG/AFP

Drones, além de um radar que penetra o solo, têm sido utilizados para estimar a extensão do colapso. Mas a contínua erosão do terreno e a acumulação de água torna a situação ainda mais precária. As autoridades japonesas esperam completar a ladeira até o fim de sexta, utilizando sacos de areia para controlar a água. Além disso, uma operação paralela ocorre para desviar o fluxo da água da chuva, entre outros, para prevenir a desestabilização do solo. No entanto, é possível que a ladeira só se torne totalmente operável em alguns dias, de acordo com a NHK, o que coloca o motorista em risco ainda maior.

Colapso da rede de esgoto

Oficiais da prefeitura acreditam que o primeiro desabamento foi causado pela ruptura de um cano de esgoto danificado. Água da chuva e de outros sistemas continuam invadindo a cratera, apesar dos esforços.

Nenhum problema havia sido identificado na última inspeção, realizada a cada cinco anos, segundo a Associated Press. No entanto, a infraestrutura do Japão seria antiga, com sistemas essenciais dos anos 60 e 70.

A prefeitura da província de Saitama pediu a seus cerca de 1,2 milhão de habitantes em 12 municípios para limitar o uso de água não potável. Esta é uma tentativa de reduzir o estresse no sistema hidráulico local. Adachi Ward, área vizinha a Tóquio, permitiu que moradores utilizassem gratuitamente 23 banheiros públicos.

O ministro do Transporte afirmou que o governo vai considerar medidas necessárias para fortalecer o sistema de esgoto do país, segundo a agência Jiji Press. Hirosama Nakano prometeu que as decisões serão tomadas com base nas investigações das causas deste acidente.

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