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Biden indica cargos-chave de sua política externa para a América Latina

O presidente dos EUA, Joe Biden - Peter Klaunzer / Pool via REUTERS
O presidente dos EUA, Joe Biden Imagem: Peter Klaunzer / Pool via REUTERS

30/07/2021 17h48Atualizada em 30/07/2021 18h34

O presidente americano, Joe Biden, nomeou esta semana dois cargos-chave de sua política externa para a América Latina e o Caribe, que agora o Senado deve confirmar.

Francisco Mora, um acadêmico que foi vice-secretário-adjunto de Defesa para o Hemisfério Ocidental durante o governo Barack Obama, e Julissa Reynoso, atual chefe de gabinete da primeira-dama, Jill Biden, são os escolhidos pelo presidente democrata para chefiar a Organização de Estados Americanos (OEA) e a embaixada na Espanha, respectivamente.

Se forem ratificados, Mora e Reynoso podem proporcionar a Washington uma liderança maior em uma região castigada pela covid-19 e sacudida pelos recentes protestos em Cuba, o assassinato do presidente do Haiti, a repressão de opositores na Nicarágua e a crise na Venezuela, além de ondas migratórias, manifestações em massa e processos eleitorais contestados.

Tanto Mora quanto Reynoso têm origem latino-americana e falam espanhol fluentemente.

Mora, mais conhecido como Frank do que como Francisco, é um cubano-americano nascido e criado em Miami, professor de políticas públicas da Universidade Internacional da Flórida (FIU), e um apoiador declarado de Biden na campanha eleitoral de 2020.

Doutor em Assuntos Internacionais da Universidade de Miami, estudou em universidades de Peru e Costa Rica e foi premiado pelo Pentágono por Serviço Público Excepcional, ressaltou a Casa Branca ao anunciar sua nomeação na quinta-feira.

Reynoso é uma advogada e diplomata nascida na República Dominicana que emigrou ainda criança para Nova York. Foi embaixadora dos Estados Unidos no Uruguai durante o governo de Barack Obama e também atuou como subsecretária-adjunta de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental no Departamento de Estado comandado por Hillary Clinton.

A Casa Branca destacou na terça-feira que Reynoso, doutora em Jurisprudência pela Universidade de Columbia, com estudos em Harvad e Cambridge, publicou muitos artigos em inglês e espanhol sobre direito comparado, reforma regulatória e política migratória.

"Outra bofetada"

A nomeação de Mora para a OEA, uma organização dividida nos últimos anos pela crise venezuelana, é considerada um sinal do interesse do governo Biden no restante do continente.

"Poucos especialistas em América Latina e Caribe são tão respeitados quanto Mora. Ele tem um conhecimento profundo da região, uma experiência impressionante em política e excelentes credenciais acadêmicas. Também tem perspicácia política", avaliou Michael Shifter, presidente do centro de reflexão Diálogo Interamericano.

"Será um jogador-chave" na OEA, afirmou à AFP, destacando que sua nomeação é "sábia e bem-vinda" e, dada a comoção na região, "precisa ser confirmada o mais rapidamente possível".

Mas a ratificação, que requer o aval do Comitê de Relações Exteriores do Senado antes de ir a plenário, pode se complicar.

"Nomear Frank Mora, um defensor declarado de se envolver com o regime de Cuba, para ser o embaixador dos Estados Unidos na OEA é uma bofetada para os cubanos que exigem liberdade", tuitou o republicano Marco Rubio, o membro de mais alto escalação do Subcomitê do Hemisfério Ocidental do Senado.

Mora sucederia ao embaixador de Donald Trump na OEA, Carlos Trujillo, um cubano-americano muito próximo de Rubio.

Reynoso, que segundo Shifter "poderia ser útil para envolver a Espanha tanto para pressionar quanto para coordenar qualquer negociação em prol de uma transição democrática na Venezuela", recebeu um forte impulso da primeira-dama.

"Em vista de sua experiência e seu coração, não posso pensar em ninguém melhor do que Julissa para nos representar na Espanha e em Andorra", tuitou Jill Biden, esposa do presidente. "Tem sido uma líder e amiga excepcional e incrível", destacou.

Outras decisões importantes

Outra nomeação importante para a região, a do experiente político Ken Salazar como embaixador no México, foi abordada esta semana no Comitê de Relações Exteriores do Senado. Mas o painel presidido pelo influente senador democrata Bob Menéndez ainda não marcou data para votá-la.

Nomeado em junho por Biden, Salazar, ex-secretário do Interior de Obama, terá a tarefa de cultivar a até agora fria relação com o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador.

"É hora de criar uma mudança transformadora na relação México-Estados Unidos, marcando o começo de uma nova era de associação com nosso vizinho do sul", disse, durante a audiência da quarta-feira.

Salazar, que assim como Mora trabalhou na campanha presidencial de Biden para atrair o voto latino, se identifica como mexicano-americano, embora seus antepassados fossem colonos espanhóis que fundaram Santa Fe, no hoje estado mexicano do Novo México, no século XVI.

O Comitê de Relações Exteriores do Senado ainda deve confirmar Brian Nichols como vice-secretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, nomeado em março, e que poderia se tornar o primeiro afro-americano no cargo em mais de quatro décadas.

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