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1 mês

Mais um opositor é preso na Nicarágua

27/07/2021 22h06

Manágua, 28 Jul 2021 (AFP) - A polícia nicaraguense prendeu o cientista político José Peraza pelo suposto crime de "minar a independência e a soberania", informou a força nesta terça-feira (27), aumentando para 29 os opositores presos no contexto das eleições de novembro.

Perazam, preso na noite de segunda-feira, "está sendo investigado por cometer atos que minam a independência e a soberania", segundo o comunicado da polícia.

O cientista político é membro do conselho opositor Unidade Azul e Branca (UNAB), formada por organizações da sociedade civil que promoveram os protestos antigovernamentais de 2018, que resultaram em 328 mortes, segundo organizações de direitos humanos.

Quase três meses antes das eleições, o governo de Daniel Ortega tem 29 oponentes presos, incluindo sete candidatos à presidência: Cristiana Chamorro, Arturo Cruz, Félix Maradiaga, Juan Sebastián Chamorro, Miguel Mora, Medardo Mairena e Noel Vidaurre.

A UNAB denunciou em um comunicado que nove dos presos compõem sua diretoria, entre eles Maradiaga, que, como outros presos, não teve acesso a familiares ou advogados.

As organizações de direitos humanos contabilizam mais de 140 pessoas privadas de liberdade por serem críticas ao governo.

As leis da Nicarágua proíbem as pessoas que estão sob investigação ou privadas de liberdade de concorrerem a um cargo eletivo.

Posteriormente, a procuradoria anunciou que acusará as esposas de Maradiaga e Chamorro, Berta Valle e Victoria Cárdenas, porque "há claros indícios de que atentaram contra a sociedade nicaraguense".

Valle e Cárdenas, que estão nos Estados Unidos, pediram para que sejam usados "mecanismos de pressão" contra o país.

"Solicitaram publicamente (...) bloqueios econômicos, comerciais e de operações financeiras contra o Estado da Nicarágua, suas instituições e cidadãos", destacou a procuradoria.

Enquanto isso, a polícia informou que iniciou uma investigação sobre o ex-chanceler Francisco Aguirre (1999-2001) por supostos crimes de "enfraquecimento da independência e soberania", o mesmo que se aplica a outros opositores detidos, e que encaminharão o caso às autoridades competentes para seu "ajuizamento e determinação de responsabilidades criminais".

Ortega, de 75 anos, ainda não anunciou oficialmente se buscará a reeleição nas eleições gerais de 7 de novembro, embora seus aliados suponham que ele será o candidato da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

O presidente governou o país entre 1979-1990, quando perdeu as eleições para a ex-presidente Violeta de Chamorro e voltou ao poder em 2007, onde permanece desde então após duas reeleições sucessivas, nas quais a oposição denunciou fraude.

Ortega afirma que os detidos não são candidatos, mas "criminosos" que se organizaram com financiamento dos EUA para uma tentativa de golpe.

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