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Polícia da Nicarágua invade estúdio de TV e prende cinegrafista

21/05/2021 05h12

Manágua, 20 mai (EFE).- A polícia da Nicarágua invadiu nesta quinta-feira o prédio onde é gravado o programa de TV "Esta Semana" e também fica a redação do jornal "Confidencial", comandados pelo jornalista Carlos Fernando Chamorro, crítico do presidente Daniel Ortega, e prendeu um dos seus cinegrafistas, cujo paradeiro é desconhecido até o momento, além de assediar um grupo de jornalistas que cobria a ação.

A operação contra a equipe do programa "Esta Semana" e do jornal "Confidencial", que aluga escritórios no prédio após o governo ter confiscado a sede do grupo de mídia liderado por Chamorro, ocorre quando faltam menos de seis meses para as eleições gerais, nas quais Ortega busca nova reeleição.

Policiais compareceram ao estúdio de produção do "Esta Semana" e na redação do jornal, em um prédio comercial no sul de Manágua, de onde retiraram documentos e equipamentos de gravação, e prenderam o cinegrafista Leonel Gutiérrez, segundo constatou a Agência Efe.

Transmitido pela emissora "Canal 12", o programa é dirigido pelo dono do jornal "Confidencial", que em dezembro de 2018 foi confiscado pelo governo da Nicarágua sem processo judicial.

"Exigimos a libertação imediata de nosso colega Leonel Gutiérrez, cinegrafista de 'Confidencial' e 'Esta Semana', sequestrado pela polícia durante a segunda operação ilegal ao estúdio de produção de 'Esta Semana', confiscado em 2018", exigiu Chamorro, filho da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro.

JORNALISTAS ASSEDIADOS

Chamorro, que esteve no exílio durante dez meses após o confisco do edifício Confidencial, afirmou que a polícia nicaraguense "nunca irá confiscar o jornalismo".

Um grupo de jornalistas que cobria a ação da polícia foi perseguido e assediado pelos agentes. Os profissionais fugiram para evitar serem presos, embora um deles tenha sido detido e liberado minutos depois ao ter deletado as imagens que havia registrado.

Os jornalistas, incluindo uma equipe da Agência Efe, foram encurralados em um estacionamento subterrâneo do prédio comercial.

Renée Lucía Ramos, fotojornalista da Efe da Nicarágua, disse que escapou de ser presa se escondendo dentro de um contêiner, mas viu o fotógrafo da agência "France Press" Luis Sequeira ser levado e liberado minutos depois de ter deletado as fotos do seu celular.

ALMAGRO SOLICITA FIM DO ASSÉDIO

"Esta semana" recebeu apoio de diversos setores, incluindo o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

"Exigimos respeito pela vida e integridade física dos trabalhadores do 'Confidencial' e fim ao assédio. O respeito pela liberdade de expressão como elemento essencial da democracia torna este tipo de ataque repudiável", disse Almagro.

Durante a operação no estúdio de TV, Cristiana Chamorro, irmã de Carlos Chamorro e diretora da extinta Fundação Violeta Barrios de Chamorro, que promovia a liberdade de imprensa e a democracia, foi acusada pelo Ministério do Interior de suposto crime de lavagem de dinheiro.

A imprensa na Nicarágua vem sofrendo restrições nos últimos anos e os ataques contra jornalistas ou meios de comunicação são recorrentes desde a revolta social contra Ortega em abril de 2018.

Uma reportagem divulgada ontem pelo jornal mais antigo da Nicarágua, "La Prensa", indicou que pelo menos 27 ataques contra a liberdade de imprensa ocorreram no país no mês passado.

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