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Biden deve romper com isolacionismo de Trump no cenário mundial

25/11/2020 07h48

No dia seguinte do início formal do processo da transição, o presidente eleito dos Estados Unidos apresentou nessa terça-feira (24) os primeiros integrantes de seu gabinete. A equipe de política externa do futuro governo Biden indica uma nova diplomacia americana que quer romper com o isolacionismo dos anos Trump. O presidente americano, que bloqueou durante duas semanas a transição, continua não reconhecendo sua derrota na eleição de 3 de novembro.

No dia seguinte do início formal do processo da transição, o presidente eleito dos Estados Unidos apresentou nessa terça-feira (24) os primeiros integrantes de seu gabinete. A equipe de política externa do futuro governo Biden indica uma nova diplomacia americana que quer romper com o isolacionismo dos anos Trump. O presidente americano, que bloqueou durante duas semanas a transição, continua não reconhecendo sua derrota na eleição de 3 de novembro.

Com informações do correspondente da RFI em São Francisco, Éric de Salves

Joe Biden apresentou os primeiros seis indicados de sua futura administração de seu reduto em Wilmington, Delaware. Os três homens e três mulheres são, em sua maioria, ex-colaboradores do governo Obama, de quem Biden foi vice-presidente. Eles são políticos experientes e representativos dos Estados Unidos, justificou o presidente eleito. "Esta equipe marca o retorno dos Estados Unidos, prontos para liderar o mundo, prontos para enfrentar nossos adversários em vez de rejeitar nossos aliados", afirmou Biden.

Joe Biden fez um discurso de ruptura com o "America First" de Donald Trump. Para conduzir a diplomacia americana, ele escolheu Anthony Blinken, seu conselheiro diplomático por mais de 20 anos. Blinken, que viveu na adolescência em Paris e é francófono, lembrou a história de seu padrasto, de origem polonesa, que sobreviveu aos campos de concentração nazistas e foi salvo pelos soldados americanos. "Ele se ajoelhou e falou as únicas três palavras em inglês que sua mãe lhe ensinou antes da guerra: 'God bless America' (Deus abençoe a América). É isso que os Estados Unidos representam para o mundo."

Multilateralismo de volta

A diplomacia e o multilateralismo estão de volta, acrescentou Linda Thomas Greenfield, a diplomata afro-americana escolhida por Joe Biden como representante dos Estados Unidos na ONU. A nova administração dá sinais de que estará no polo oposto ao governo Trump.

Dois outros sinais de ruptura com o "trumpismo" são a criação do cargo de Representante Especial para o Clima e a escolha de um latino para o alto escalão. John Kerry, ex-secretário de Estado de Barack Obama e grande amigo de Biden, será responsável pelo combate às mudanças climáticas e pela reintegração dos acordos de Paris. Alejandro Mayorkas, um imigrante cubano naturalizado, assumirá a chefia do departamento de segurança interna, responsável pela imigração.

Transição

Biden, que será empossado em 20 de janeiro, assegurou que o processo de transferência do poder "já começou", e que irá receber informações dos serviços de inteligência. "O pessoal da Segurança Interna nos contatou (...) Já estamos preparando uma reunião com a equipe da Covid na Casa Branca", destacou em entrevista à NBC.

O processo de transição, previsto por lei, teve o aval do presidente Trump na noite de segunda-feira (23), 16 dias depois de seu adversário democrata ser declarado o vencedor nas eleições. O republicano, que insiste, sem apresentar provas, que ganhou as eleições de 3 de novembro, sofreu um novo revés nesta terça, quando Pensilvânia e Nevada confirmaram a vitória de Biden.

Na entrevista à NBC, o presidente eleito declarou que em seus primeiros 100 dias de governo irá enfrentar a crise do novo coronavírus ? que já deixou mais de 258.000 mortos nos Estados Unidos?, abandonar as políticas de Trump que prejudicam o meio ambiente e promover leis para oferecer a milhões de pessoas sem documentos um caminho para a cidadania.

Biden deve ser declarado o 46º presidente dos Estados Unidos em 14 de dezembro, na reunião do Colégio Eleitoral que constitucionalmente determina o vencedor. Ele venceu com quase 80 milhões de votos contra 74 milhões de Trump, conquistando 306 grandes eleitores, contra 232 para o republicano.

(Com AFP)

 

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