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Entrar na Bolsa pode ser opção à privatização dos Correios, diz associação

Correios veículo encomendas - Divulgação
Correios veículo encomendas Imagem: Divulgação
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

30/10/2020 17h40

Enquanto o governo trabalha para finalizar o Projeto de Lei que será enviado ao Congresso para iniciar o processo de privatização dos Correios, funcionários e sindicatos se organizam para tentar entrar no debate e evitar a venda da estatal.

Em entrevista à coluna, o vice-presidente da associação dos profissionais dos Correios (ADCAP), Marcos Alves, disse que o debate em torno do futuro dos Correios tem sido extremamente raso. "O governo não conhece o negócio postal, o pessoal do BNDES e do PPI (Programa de Parcerias de investimentos) também não", afirmou o dirigente, que trabalhou na estatal por 37 anos e foi membro do Conselho de Administração por cinco anos, até outubro de 2018.

O BNDES é o responsável pela contratação do consórcio Postar, que realiza os estudos para privatização dos Correios. Em nota à coluna em meados do mês, a instituição informou que ainda não está definido se a orientação será pela venda total da estatal à iniciativa privada.

Para o dirigente da ADCAP, que reúne cerca de 10 mil funcionários e ex-funcionários da estatal, o governo deveria avaliar experiências bem-sucedidas de serviços postais em outros lugares do mundo antes de realizar uma mudança de direcionamento nos Correios.

Ele cita como exemplo o caso da Alemanha, que começou um processo de privatização na década de 90 e nos depois acabou concedendo parte da empresa ao mercado financeiro.

"Eles primeiro valorizaram a empresa estatal, aumentaram o preço dos serviços para capitalizar a empresa, depois venderam imóveis e compraram outras empresas. E quando abriram capital tinham uma empresa bem valorizada", diz Alves.

Hoje o Deutsche Post DHL é uma das maiores empresas de logística do mundo, mas é ainda controlado pelo Estado alemão, que detém parcela superior a 20% do total, sendo o restante extremamente pulverizado entre inúmeros investidores privados e institucionais.

Questionado se esse caminho da abertura de capitais, ou IPO, era o mais indicado para o modelo do Brasil, o dirigente da associação afirmou que essa é uma saída que "faz todo sentido".

Ele ressaltou, porém, que na sua avaliação o governo tem feito o contrário . "Para justificar a intenção de privatizar o governo, em vez de falar bem da empresa, "pintar a casa antes de vender", faz o inverso. Parece que eles querem vender e ainda bem baratinho", diz.

"O governo não consegue enxergar valor nas infraestruturas públicas que possui e só pensa em vendê-las ou desmontá-las, para resolver seus problemas de caixa ou para comprovar suas teses ideológicas. Não há, portanto, ambiente para nada parecido com o que foi feito na Alemanha", completou.

Peculiaridades

Alves rechaça também a possibilidade de que a venda dos Correios aconteça de forma semelhante a de outros setores, como telefonia, por exemplo, em que o comprador leva uma praça de maior atratividade, mas é obrigado a atender uma região distante ou sem possibilidade de lucros.

"O serviço postal é totalmente distinto, não tem nada a ver com telefonia, saneamento. Estamos falando de objetos físicos, controlados, de valores. Se sumir um objeto, por exemplo, quem será o responsável pelo extravio", aponta.

Segundo o dirigente, esse modelo estaria fadado ao fracasso. "O governo não pode errar desse jeito", diz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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