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Após plásticas e novo nome, traficante foragido do AM é preso no CE

O traficante Lenon Oliveira do Carmo antes e depois das cirurgias que, segundo a polícia, foram realizadas para evitar sua identificação - Divulgação/SSP-AM
O traficante Lenon Oliveira do Carmo antes e depois das cirurgias que, segundo a polícia, foram realizadas para evitar sua identificação Imagem: Divulgação/SSP-AM
do UOL

Do UOL, em São Paulo

18/10/2020 16h42

A polícia prendeu ontem, no Ceará, o traficante Lenon Oliveira do Carmo, conhecido como "Bileno", de 39 anos. Apontado como autor de homicídios em Manaus, ele estava foragido desde 2018. Segundo a polícia, o homem passou por cirurgias plásticas no rosto e assumiu uma nova identidade, passando a se chamar Aylon Soares Cardoso, para fugir das autoridades.

Considerado de alta periculosidade, Lenon tem envolvimento em diversos assassinatos, na capital do Amazonas, relacionados ao crime de tráfico de drogas. Ele participou das mortes registradas no chamado massacre de Manaus, quando 56 detentos foram assassinados no Compaj (Complexo Penitenciário Antônio Jobim) em janeiro de 2017.

Na capital cearense, de acordo com a polícia, o traficante ostentava uma vida de luxo com a família. Ao ser preso, ele estava visitando sua nova residência, uma casa de alto padrão a poucos metros da praia de Icaraí, na região litorânea.

Lenon foi recapturado em uma operação coordenada pela SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas), que teve apoio do Denarc (Departamento de Investigação sobre Narcóticos), da Polícia Civil do Amazonas e da Polícia Civil do Ceará. As investigações que levaram à recaptura do condenado vinham se desenvolvendo há cerca de três meses. No Ceará, foram dois dias de campana para a prisão ser efetuada.

Crimes no Amazonas

Lenon, ou "Bileno", era membro de uma facção criminosa do Amazonas. Há cerca de dois anos, segundo a polícia, mudou de grupo e passou a ocupar um posto de comando em uma organização criminosa oriunda do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, "Bileno" era uma espécie de executivo do presidiário Gelson Carnaúba, vulgo "Mano G", chefe desta facção criminosa.

Preso pela última vez em fevereiro de 2018, Lenon tinha sido transferido do sistema prisional do estado, em julho daquele ano, junto com outros oito detentos líderes de facção, após a capital amazonense bater recorde de homicídios com mais de 100 casos, naquele mês de junho, devido a brigas de facções do tráfico.

Ele ficou no Presídio de Mossoró, no Rio Grande Norte, por cerca de quatro meses. Ao retornar para o Amazonas, obteve da Justiça o direito à prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. O traficante, no entanto, destruiu o equipamento e fugiu do estado.

Tráfico, homicídios e crimes ambientais

Lenon possui diversos registros policiais em Manaus: prisões por tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e crimes ambientais.

De acordo com as investigações da Polícia Civil do Amazonas, ele domina o tráfico doméstico em bairros como Colônia Antônio Aleixo, Distrito Industrial II e Puraquequara, e atuava no intercâmbio das drogas através das orlas fluviais dos bairros.

"Bileno" também comandava invasões de terras na capital amazonense e tinha sob sua liderança uma milícia armada altamente violenta responsável pela propagação do tráfico de drogas.

Em uma invasão no Francisca Mendes, ele montou um clube de lazer para traficantes e desviou o curso do rio para montar um balneário natural. A suspeita da polícia é que o local serviria como uma espécie de "bunker" dos criminosos, onde seriam montadas estratégias para articulação de fugas de traficantes do regime fechado.

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