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Ernesto Araújo rebate críticas de Maia sobre visita de Pompeo ao Brasil

do UOL

Do UOL, em Brasília

19/09/2020 13h03

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, rebateu as críticas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, a Boa Vista (RR). Segundo Araújo, Maia se baseou em "interpretações equivocadas".

Pompeo foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores na capital de Roraima para visitar instalações brasileiras que recebem venezuelanos. Segundo Maia, a visita do secretário "não condiz com boa prática diplomática internacional".

Diante das críticas, Araújo afirmou, em nota oficial, que "o povo brasileiro tem apego pela democracia" e que o regime de Maduro, na Venezuela, trabalha "permanentemente para solapar a democracia em toda a América do Sul".

"Não há 'autonomia e altivez' em ignorar o sofrimento do povo venezuelano ou em negligenciar a segurança do povo brasileiro. Autonomia e altivez há, sim, em romper uma espiral de inércia irresponsável e silêncio cúmplice, ou de colaboração descarada, a qual, praticada durante 20 anos frente aos crescentes desmandos do regime Chávez-Maduro, contribuiu em muito para esta que é talvez a maior tragédia humanitária já vivida em nossa região", declarou Araújo.

Brasil ignorou problemas da Venezuela, diz Araújo

Brasil e Estados Unidos estão entre os países que reconhecem o líder de oposição Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela e não Nicolás Maduro.

Dezenas de milhares de venezuelanos cruzaram a fronteira do Estado brasileiro de Roraima nos últimos anos, fugindo da turbulência econômica e política em seu país. A economia da Venezuela tem estado em declínio e há ondas periódicas de protestos contra o governo Maduro.

Araújo afirma que a diplomacia brasileira ignorou os problemas da Venezuela entre 1999 e 2018, o que prejudicou as relações entre os dois países e de toda a América Latina.

"A triste história da diplomacia brasileira para a Venezuela entre 1999 e 2018 constitui exemplo de cegueira e subserviência ideológica, altamente prejudicial aos interesses materiais e morais do povo brasileiro e a toda a América Latina", disse.

Chanceler nega qualquer afronta

Maia afirmou que a visita de Pompeo significou "uma afronta às tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa",

"Absolutamente nada no posicionamento do Brasil contra a ditadura de Maduro e em favor de uma Venezuela livre fere qualquer dos princípios do Artigo 4° da Constituição. Muito pelo contrário, nossa atuação descumpriria a Constituição se fechássemos os olhos à tragédia venezuelana", disse.

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