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Disputa por chefia da OMC tem três mulheres entre finalistas, sendo duas da África

O brasileiro Roberto Azevêdo renunciou um ano antes do esperado, no final de agosto - Arne Immanuel Bänsch/picture alliance via Getty Images
O brasileiro Roberto Azevêdo renunciou um ano antes do esperado, no final de agosto Imagem: Arne Immanuel Bänsch/picture alliance via Getty Images

18/09/2020 08h24

Três mulheres, duas delas da África, avançaram para a segunda rodada da seleção da nova diretoria-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) quando o páreo foi reduzido de oito para cinco nomes, informou a entidade sediada em Genebra hoje.

A OMC busca uma pessoa para substituir o brasileiro Roberto Azevêdo, que renunciou um ano antes do esperado, no final de agosto.

O organismo comercial de 25 anos de existência nunca teve uma mulher ou alguém da África como líder.

Os cinco candidatos da próxima rodada são a ministra queniana Amina Mohamed, a ex-ministra das Finanças nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, a ministra do Comércio sul-coreana, Yoo Myung-hee, o saudita Mohammad Al-Tuwaijri e o ex-ministro britânico Liam Fox.

Os nomes da próxima rodada confirmam uma reportagem de quinta-feira da Reuters, segundo a qual o mexicano Jesús Seade, o egípcio Hamid Mamdouh e o moldavo Tudor Ulianovschi foram eliminados.

O sucessor de Azevêdo enfrentará um desafio considerável devido às tensões globais crescentes e o protecionismo surgido durante os isolamentos causados pela Covid-19, principalmente entre a China e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da pressão para impulsionar reformas.

A segunda rodada, na qual os 164 membros da OMC manifestarão suas preferências de 24 de setembro a 6 de outubro, reduzirá os candidatos a dois. A entidade disse que espera escolher o vencedor até o início de novembro.

Especialistas em comércio e ex-autoridades da OMC dizem que a eleição presidencial norte-americana de 3 de novembro pode prolongar o processo, mesmo que isso contrarie o prazo indicado pela organização.

Mas a própria OMC disse que o processo correu bem até agora e que todos os membros participaram.

Quem são eles

- Liam Fox, do Reino Unido: Este escocês pró-Brexit de 58 anos, ex-médico, dirigiu o Ministério do Comércio Exterior de 2016 a 2919 no governo de Theresa May. Também esteve na liderança do Ministério da Defesa (2010-2011). Se comprometeu a que pelo menos metade dos membros da equipe diretiva da OMC sejam mulheres.

O livre comércio nunca deve ser uma batalha de campo".

- Amina Mohamed, Quênia: A ministra de Esportes queniana (58 anos) é muito conhecida em Genebra: ex-embaixadora na OMC, já liderou os três órgãos mais importantes da organização no passado. Em 2013, foi candidata contra Roberto Azevedo, que na segunda-feira deixa seu cargo, e presidiu a conferência ministerial da OMC de 2014.

Devemos romper o ciclo do desespero e entrar em uma nova fase de esperança e realismo"

- Ngozi Okonjo-Iweala, Nigéria: Foi a primeira mulher de seu país a dirigir os ministérios das Finanças e Relações Exteriores. Esta economista por formação, de 66 anos, também foi diretora de operações do Banco Mundial. Preside a Aliança Mundial para as Vacinas e Imunização (GAVI) e dirige um dos programas da Organização Mundial da Saúde no combate à covid-19.

O comércio é para mim uma paixão e uma missão"

- Mohammed Al Tuwaijri, Arábia Saudita: Este ex-piloto da força aérea de 53 anos realizou diversas missões durante a Guerra do Golfo. Também é banqueiro e liderou as operações de JPMorgan na Arábia Saudita antes de se incorporar ao HSBC.

Se todas as rodas não girarem corretamente, o triciclo não poderá avançar com os membros da OMC"

- Yoo Myung-hee, Coreia do Sul: Esta sul-coreana de 53 anos é a primeira mulher em seu país a liderar o Ministério do Comércio. Dedicou sua carreira ao comércio e assumiu o arquivo da OMC no Ministério do Comércio em 1995. Depois, liderou as negociações sobre os acordos de livre comércio, principalmente o de seu país com a China. Também trabalhou na embaixada sul-coreana na China (2007-2010).

Pode ser coincidência, mas nasci em 1967, o ano em que a Coreia se juntou ao GATT, e comecei minha carreira no comércio quando a OMC nasceu em 1995".

*Com informações da AFP

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