PUBLICIDADE
Topo

Airbags mortais: polícia do Sergipe confirma 2º acidente fatal no Brasil

Foto exibe fragmento projetado do airbag defeituoso que atingiu pescoço do motorista e acabou o matando em Aracaju (SE) - Divulgação
Foto exibe fragmento projetado do airbag defeituoso que atingiu pescoço do motorista e acabou o matando em Aracaju (SE) Imagem: Divulgação
do UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

16/07/2020 12h39

A Polícia Civil do Sergipe anunciou ontem que a morte do condutor Plínio Lobato, falecido em acidente de trânsito no dia 20 de janeiro, em Aracaju, foi causada por airbag defeituoso da fabricante Takata - instalado em um Chevrolet Celta 2014.

Este é o segundo caso confirmado de óbito causado pelos airbags da fornecedora no Brasil, que afeta mais de 3,5 milhões de veículos de diferentes montadoras somente no País, todos convocados para recall.

Em fevereiro passado, a Honda confirmou que o motorista de um Civic 2008 morreu após colidir o veículo no Rio de Janeiro. O veículo foi convocado para recall em 2015 para troca do insuflador do airbag no lado do motorista, mas o reparo não foi realizado.

"A perícia determinou que houve a ruptura anormal do insuflador do airbag da Takata, causando ferimentos que levaram à morte do motorista. Esta é a primeira ocorrência fatal provocada por ruptura do insuflador de airbag da fornecedora no Brasil", disse nota da montadora na época.

Em relação ao acidente no Sergipe, as investigações concluíram que Lobato morreu ao ser atingido no pescoço por um fragmento metálico projetado após ruptura anormal do insuflador do airbag do volante do Celta que conduzia.

Acidente morte Chevrolet Celta 2014 Sergipe airbags mortais takata - Divulgação - Divulgação
Carro vermelho é o Celta que colidiu no veículo da frente; motorista do Chevrolet morreu
Imagem: Divulgação

"Foram ouvidas as testemunhas presentes no local. Todas relataram que a vítima tinha uma lesão no corpo e que existia uma diferença no funcionamento dos airbags: um havia insuflado e outro não. Havia também um cheiro de queimado dentro do veículo e poucos danos externo. Então, em princípio, seria um acidente relativamente simples", disse a delegada Daniela Lima, da Delegacia Especial de Delitos de Trânsito.

O Celta colidiu na traseira de outro veículo na Orla de Atalaia quando estava a mais de 40 km/h, segundo o inquérito.

"A vítima tinha uma lesão na região do pescoço. Posteriormente, com os exames, o perito verificou que havia o rompimento de uma peça do airbag. Também foi feito um exame complementar na própria delegacia. Da vítima, foi retirado um fragmento metálico e foi possível verificar que o fragmento fazia parte do airbag", complementou a delegada, durante entrevista coletiva.

O defeito nos airbags da Takata é sempre o mesmo: ao ser acionado, o airbag pode apresentar aumento da pressão interna do gerador de gás, rompendo-se e, consequentemente, lançamento fragmentos metálicos no interior do veículo.

Em outros países, sobretudo nos Estados Unidos, a falha está associada a mais de 20 mortes e no Brasil há mais de 30 acidentes confirmados com automóveis defeituosos, com pelo menos 12 pessoas feridas, sem mencionar os óbitos. Os casos de acidentes com airbags da Takata no País envolvem três veículos da Toyota, sem vítimas, e os demais são de automóveis da Honda - sem contar o episódio do Celta.

UOL Carros questionou a General Motors, fabricante do Celta. A empresa informa que "a GM não tinha conhecimento do caso. Estamos apurando".

A reportagem também busca contato com a Takata.

Campanha para atendimento de recall

Tiago Ferreira, vítima de airbag da Takata, destaca importância de atender às convocações para reparo - Reprodução - Reprodução
Tiago Ferreira, vítima de airbag da Takata, destaca importância de atender às convocações para reparo
Imagem: Reprodução

A Honda lançou em agosto do ano passado campanha publicitária nacional para ressaltar a seus clientes a importância de atenderem os recalls de airbags problemáticos da Takata. Para sensibilizar o público a aderir aos chamamentos, a montadora exibe o depoimento de uma vítima do item defeituoso no Brasil.

Tiago Ferreira estava em um Honda Civic 2007 e acabou sofrendo um acidente que acionou o airbag frontal do veículo em setembro de 2018. O carro já havia sido convocado para recall em duas ocasiões em 2015, porém ainda não havia sido submetido a reparo.

Ele conta que teve lesões no peito e outras partes do corpo, causadas por fragmentos metálicos que foram lançados com o acionamento do airbag.

"A Honda tem adotado uma série de medidas para ampliar a comunicação com a totalidade dos proprietários cujos veículos tenham alguma pendência de recall e conscientizá-los sobre a urgência do reparo", disse Marcelo Langrafe, diretor de serviços e pós-venda da Honda na América do Sul.

"Esperamos que com esta campanha possamos ampliar o número de atendimentos. Esta é a nossa prioridade."

O objetivo da montadora foi conscientizar os consumidores sobre os riscos de não participar do recall e aumentar o número de atendimentos.

Notícias