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Pompeo insiste em que EUA foram firmes com a Rússia mas não descarta convite a Putin para reunião do G7

01/07/2020 20h07

Washington, 1 Jul 2020 (AFP) - O governo americano insistiu nesta quarta-feira em que foi firme com Moscou em relação ao Afeganistão, mas manteve as portas abertas a um convite ao presidente russo, Vladimir Putin, para participar da reunião de cúpula do G7.

Washington foi abalada por informações da imprensa que dão conta de que a inteligência americana acredita que uma unidade russa ofereceu recompensas pela morte de soldados americanos a militantes ligados ao movimento talibã.

O presidente americano, Donald Trump, voltou a negar que tenha sido informado sobre esta situação, alegando que as pistas com que os serviços lidavam precisavam da solidez necessária para serem transmitidas ao presidente. "As pessoas ainda não entendem que tudo isto é uma notícia falsa criada para difamar a mim e ao Partido Republicano", tuitou Trump.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que não é "nenhuma novidade" que a Rússia tenha estado agindo contra os interesses americanos no Afeganistão, mas defendeu a resposta do governo. "Levamos isso com seriedade, lidamos de forma apropriada", disse Pompeo, ex-chefe da CIA e firme aliado de Trump, sem comentar a informação da inteligência.

"Os russos vendem armas leves ali que colocam os americanos em risco há 10 anos. Nós nos opomos a isso", assinalou Pompeo, em entrevista coletiva. "Quando vemos informações confiáveis que sugerem que os russos estão colocando vidas americanas em risco, estamos respondendo de uma forma séria."

- Putin: ainda bem-vindo? -

O chefe da diplomacia americana, no entanto, não descartou a possibilidade de receber o presidente russo nos Estados Unidos. No mês passado, Trump disse que havia considerado a possibilidade de convidar Putin a uma versão ampliada da reunião de cúpula do G7, que reúne países democráticos industrializados e que expulsou a Rússia em 2014, devidido à anexação da Crimeia.

"O presidente Trump é quem decide se quer que ele venha à reunião ou não", disse Pompeo. "Certamente deixarei este assunto para ele. Mas acho absolutamente importante que tenhamos compromissos mais frequente com os russos." Segundo Pompeo, os Estados Unidos se reúnem com a Rússia "para convencê-los a mudar algumas das atividades" que vão de encontro aos interesses americanos.

Em várias oportunidades, Trump expressou esperança de melhorar sua relação com Putin, o que fez soar alertas inclusive entre membros do seu próprio partido, que, tradicionalmente, defende uma linha dura frente à Rússia. O principal senador democrata na comissão de relações exteriores da câmara alta, Robert Menendez, propôs hoje sanções à Rússia em resposta às supostas recompensas pela morte de soldados da coalizão ocidental no Afeganistão.

O jornal "New York Times", primeiro veículo a informar sobre as supostas recompensas, disse que a informação da inteligência foi apresentada por escrito em fevereiro, como parte de um resumo diário destinado ao presidente. Em várias ocasiões, informou-se que o presidente dá pouca atenção aos briefings da inteligência.

A notícia foi negada tanto pela Rússia quanto pelo talibã afegão, que, em 29 de fevereiro, assinou um acordo com os Estados Unidos pelo qual se comprometeu a não atacar as forças da coalizão.

sct/jm/piz/dga/lb

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