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Recorde de mortes na Espanha; mundo permanece confinado por pandemia

29/03/2020 10h58

Madri, 29 Mar 2020 (AFP) - As mortes provocadas pelo novo coronavírus passam de 31.000 em todo o mundo e a pandemia mantém o rastro de destruição na Itália e Espanha, onde o número de vítimas fatais voltou a bater recorde neste domingo, apesar das medidas de confinamento.

Nas últimas 24 horas, 834 pessoas morreram na Espanha e o total de vítimas fatais supera 6.500, ao mesmo tempo que o país contabiliza 78.000 infectados diagnosticados - analistas advertem que o número real seria muito maior.

No sábado, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez anunciou que os setores não essenciais devem paralisar as atividades durante duas semanas para reduzir os riscos de contágio. O confinamento da população permanecerá em vigor até pelo menos 11 de abril.

"As autoridades públicas devem se deixar guiar pelos especialistas e apenas por eles, dar a cara e combater o único inimigo que nos ameaça: o vírus e seus estragos sanitários, econômicos e sociais", declarou Sánchez.

Apesar do balanço diário desolador de mortos e infectados, em termos percentuais o crescimento mostra tendência de queda desde quarta-feira.

"A evolução parece estabilizada, parece que inclusive começou a cair", afirmou Fernando Simón, diretor do centro de emergências sanitárias, vinculado ao ministério da Saúde.

Nos hospitais de Madri, a região mais afetada, os profissionais trabalham em condições extremas.

Desde o início da pandemia, mais 667.090 casos de contágio foram registrados em 183 países ou territórios. No momento, mais de 3,3 bilhões de pessoas estão confinadas no planeta.

- Luz no fim do túnel na Itália? -Na Itália, país com o maior número de mortes no mundo, mais de de 10.000, o confinamento pode estar começando a apresentar os primeiros resultados.

"Em todos os serviços de emergências caiu (a chegada de pacientes). Em alguns a redução é leve, em outros mais pronunciada", afirmou Giulio Gallera, secretário de Saúde da Lombardia, a região mais afetada.

Neste domingo, o papa Francisco se uniu ao apelo da ONU e pediu uma trégua imediata em todos os conflitos do mundo para proteger os civis mais vulneráveis ante a epidemia do novo coronavírus.

Do outro lado do Atlântico, a pandemia avança a toda velocidade nos Estados Unidos, com mais de 2.000 mortes e 124.000 casos de contágio, quase metade deles no estado de Nova York.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de casos registrados.

Entre os mortos está um bebê de menos de um ano, uma das vítimas mais jovens da doença que, em tese, não afeta as crianças com tanta força.

O presidente americano Donald Trump cogitou impor uma quarentena nos estados de Nova York e Nova Jersey, mas desistiu e optou pela recomendação do Centro para o Controle de Doenças (CDC), a autoridade nacional de saúde, que pediu aos "moradores de Nova York, Nova Jersey e Connecticut que evitem viagens não essenciais durante os próximos 14 dias".

O aumento de casos também preocupa no Reino Unido, onde o primeiro-ministro Boris Johnson é um dos infectados.

"Acredito que todos devem se preparar par um longo período de confinamento", disse o ministro do gabinete Michael Gove neste domingo. O país registra mais de 1.000 mortos e 17.000 casos diagnosticados.

Na França, com 2.314 mortos, o dias mais difíceis parecem estar por chegar. Diante da falta de leitos em UTIs, dezenas de pacientes em estado grave foram transferidos da região noroeste do país para outras áreas da França ou para países próximos, como Alemanha, Suíça e Luxemburgo.

- 'Distância saudável' -No Irã, outro país muito afetado pela pandemia, com mais de 2.600 mortos, as autoridades pediram à população que permaneça em casa e anunciaram a prorrogação das restrições de deslocamento.

"Evitar os deslocamentos desnecessários" também é a recomendação do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que foi muito criticado pela demora na resposta à emergência de saúde.

"Agora, o que queremos é que todos saiam, que estejam em casa, com suas famílias, também nos ajudem a manter uma distância saudável e que tenham higiene", pediu López Obrador para evitar a propagação da epidemia.

A América Latina tem quase 13.000 casos e mais de 260 mortos. Vários países da região aplicam medidas de confinamento.

No sábado à noite, o Panamá anunciou que permitirá a passagem do cruzeiro "Zaandam", com quatro mortos a bordo e duas pessoas diagnosticadas com COVID-19, que continuará sua viagem rumo aos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, na China, marco zero da pandemia, a situação parece estar sob controle, mas o país teme os casos "importados".

Neste domingo, Wuhan, cidade onde o novo coronavírus foi detectado pela primeira vez em dezembro, seguia submetendo a rígidos controles as pessoas que desejavam entrar na localidade, que iniciou um processo gradual de reabertura ao mundo.

"A princípio, estávamos com mais medo e pensamos que talvez estivéssemos mais seguros fora", explica Han Li, que trabalha na gestão dos viajantes que retornam a Wuhan.

"Mas agora não estamos mais com esta impressão. Talvez, inclusive, estejamos mais seguros na China".

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