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Como a 'novela' da venda da fábrica da Ford se tornou saia justa para Doria

João Doria diz que busca comprador para a fábrica da Ford desde fevereiro do ano passado, quando empresa anunciou fechamento da unidade no ABC - Divulgação/Secom/Governo de São Paulo
João Doria diz que busca comprador para a fábrica da Ford desde fevereiro do ano passado, quando empresa anunciou fechamento da unidade no ABC
Imagem: Divulgação/Secom/Governo de São Paulo
do UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/01/2020 16h24

A venda da fábrica da Ford é uma pauta encampada por João Doria, que se dispôs a intermediar as negociações com potenciais interessados. No entanto, o assunto se tornou uma saia justa para o governador paulista.

Até agora, não apareceu um comprador para a unidade e os cerca de 1,8 mil funcionários contratados da fábrica hoje estão demitidos ou em processo de desligamento - de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A linha de montagem, que produzia o Fiesta e caminhões da marca norte-americana, fechou as portas no fim de outubro.

Além disso, diversas vezes o governador anunciou estimativa de data para uma resolução, que foi sucessivamente adiada.

Em fevereiro do ano passado, apenas alguns dias após a montadora anunciar que fecharia em 2019 a unidade em São Bernardo do Campo (SP), Doria convocou uma coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, acompanhado por Lyle Watters, o presidente da Ford na América do Sul, para dizer que buscaria um comprador para as instalações.

Na ocasião, o governador afirmou que trabalhava para encontrar uma solução de mercado junto à Ford com o objetivo de preservar os postos de trabalho.

Alguns dias depois, ele disse que que havia três empresas interessadas em fechar negócio. Na mesma época, a Caoa confirmou interesse nas instalações do ABC. Em maio, Doria declarou que esperava tornar pública uma definição dentro de 15 dias - o que não se confirmou.

No início de setembro de 2019, o governador marcou outra coletiva na sede do governo paulista para anunciar oficialmente a intenção de compra da fábrica pela Caoa, acompanhado de Watters, Orlando Morando, prefeito de São Bernardo, e Carlos Alberto de Oliveira Andrade, chairman do Grupo Caoa.

Na mesma entrevista, nova data para um desenlace: o negócio seria concluído dentro de 45 dias, prometeu. Mais uma vez, a estimativa não se tornou realidade.

A "novela" da compra da Ford pela Caoa chegou ao fim ontem, quando João Doria admitiu o fracasso nas negociações.

'Não é fácil vender fábrica instalada'

"Caoa não foi possível viabilizar neste caso específico, mas a Caoa deve anunciar agora, neste ano, um novo e forte investimento com fabricante chinês na indústria automobilística aqui em São Paulo", afirmou, durante entrevista na cerimônia de abertura da feira Couromoda, na capital paulista.

"Nós não desistimos do tema da Ford ainda. Há um entendimento novo com dois fabricantes chineses, entendimentos que estão em curso. Nós não temos propagado, até para que eles possam seguir com tranquilidade, sem a pressão do tempo", complementou o governador, mudando o tom de urgência adotado até então.

Segundo ele, "não é fácil vender uma fábrica instalada". "Sob certo aspecto, é mais fácil você motivar a implantação de uma fábrica do que a venda de uma fábrica porque ela tem de ser muito ajustada. A responsabilidade é privada, nós apenas somos estimuladores, incentivadores, propagadores e facilitadores do investimento", justificou-se.

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