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Homem curado de câncer terminal com tratamento inédito morre após acidente

O paciente Vamberto, 62, recebeu o novo tratamento no início de setembro  - Hugo Caldato
O paciente Vamberto, 62, recebeu o novo tratamento no início de setembro Imagem: Hugo Caldato
do UOL

Carolina Marins

Do UOL*, em São Paulo

19/12/2019 08h45

O mineiro Vamberto Luiz de Castro, que foi curado de um câncer terminal após passar por um tratamento inédito na América Latina, morreu após um acidente em Belo Horizonte.

Segundo informou a Polícia Civil de Minas Gerais, Vamberto deu entrada no dia 11 de dezembro no Instituto Médico Legal, foi examinado e teve o corpo liberado no mesmo dia. As circunstâncias da morte ainda são desconhecidas.

"Somente após o laudo do exame de necropsia será possível dizer se há indícios de violência", informou a assessoria da Polícia Civil por telefone. O laudo está previsto para sair em 30 dias.

Curado com tratamento inédito

Vamberto foi a primeira pessoa na América Latina a receber um tratamento feito a partir das próprias células em uma terapia conhecida como CART-Cell. Ele já estava em fase terminal de um linfoma nos ossos e foi ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto em busca de um tratamento experimental. Ele já havia passado por diversas sessões de quimioterapia antes de buscar o tratamento.

A terapia conhecida como CART-CeII - que começou a ser estudada no exterior - foi inteiramente desenvolvida no Brasil no Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao HC de Ribeirão Preto.

O tratamento foi feito com células T (do sistema imunológico) retiradas do próprio paciente e geneticamente modificadas. A função original dessas células é combater doenças. No entanto, muitos cânceres conseguem driblar esse mecanismo de defesa natural do organismo, tornando-se "invisíveis".

Os especialistas alteraram geneticamente as células T, com a inclusão de uma proteína específica que as torna mais sensíveis a determinados tipos de linfoma. As células alteradas e cultivadas em laboratório foram inseridas de volta no paciente por meio de uma infusão. Com a alteração genética nas células de defesa, elas passam a reconhecer mais facilmente as células cancerosas e conseguem destruí-las.

Em menos de 20 dias, Vamberto já apresentou a remissão da doença. Ele recebeu alta em outubro após ser considerado curado da doença.

*Com Agência Estado

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