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Começa em Paris julgamento de tio de Assad por fraude imobiliária

09/12/2019 12h12

Paris, 9 dez 2019 (AFP) - O julgamento de um tio do presidente sírio Bashar Al-Assad, Rifaat, por um caso de supostas irregularidades e operações fraudulentas que o ajudaram a construir um império imobiliário na França, começou nesta segunda-feira em Paris, na ausência do acusado.

Rifaat Al-Assad, irmão mais novo do ex-presidente Hazef Al-Assad, de 82 anos, e um residente britânico, não compareceu ao tribunal. Seus advogados citaram problemas de saúde e apresentaram um atestado médico.

Rifaat será julgado até 18 de dezembro por lavagem de dinheiro, fraude fiscal agravada e desvio de fundos públicos sírios entre 1984 e 2016. O réu rejeita todas as acusações.

Um dos pilares do regime de Damasco, Rifaat foi chefe das forças de segurança internas, as Brigadas de Defesa, que reprimiram uma insurreição islâmica em 1982, uma ação que lhe valeu o apelido de "o açougueiro de Hama".

Forçado a deixar seu país em 1984, após um golpe fracassado contra seu irmão Hafez - pai de Bashar -, no poder de 1971 a 2000, Rifaat se estabeleceu na Suíça e depois na França.

Com suas quatro esposas, seus filhos e cerca de 200 fiéis que o seguiram no exílio, acumulou na Europa uma fortuna imobiliária que acabou levantando suspeitas.

Somente na França, tem duas mansões e cerca de quarenta apartamentos nos bairros mais elegantes de Paris, além de um castelo e um estábulo no Vale de Oise. Esse patrimônio é estimado em cerca de 90 milhões de euros (cerca de 100 milhões de dólares).

Adquiridas principalmente na década de 1980, essas propriedades eram mantidas por empresas registradas em paraísos fiscais e depois no Luxemburgo, gerenciadas através de contas em Gibraltar.

O réu diz que sua fortuna, lícita, provém de uma ajuda financeira "contínua e maciça" concedida por Abdullah, príncipe herdeiro e então rei saudita, da década de 1980 até sua morte em 2015.

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