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Estados Unidos e Irã trocam prisioneiros em ato raro de cooperação

07/12/2019 16h06

Por Parisa Hafezi e David Brunnstrom

DUBAI/WASHINGTON (Reuters) - Estados Unidos e Irã libertaram prisioneiros neste sábado em uma rara troca de presos entre os dois países, representando um ato de cooperação entre dois inimigos de longa data cujas relações se deterioram após a chegada do presidente Donald Trump ao poder.

Trump disse que Xiyue Wang, um cidadão norte-americano detido no Irã há três anos acusado de espionagem, estaria retornando aos EUA. Uma autoridade do Irã disse que o iraniano Massoud Soleimani havia sido libertado nos Estados Unidos.

A Suíça facilitou a troca e a agência estatal iraniana de notícias IRNA disse que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, recebeu Soleimani em Zurique, onde a troca teria ocorrido. Segundo a agência, Soleimani deve retornar ao Irã nas próximas horas.

Em um comunicado publicado pela Casa Branca, Trump não mencionou a libertação de Soleimani, mas agradeceu o governo suíço pela ajuda na negociação de Wang.

Estudante de graduação da Universidade de Princeton, Wang foi acusado de espionagem e condenado a 10 anos de prisão em 2017. Sua família e a universidade sempre disseram que ele estava no Irã em pesquisa para seus estudos em História e negaram que ele fosse um espião.

De acordo com a Universidade Princeton, ele nasceu em Pequim em 1980, migrou para os Estados Unidos em 2001 e se naturalizou cidadão americano em 2009. Sua esposa e filho são cidadãos chineses. A China, que normalmente requer que seus cidadãos renunciem à sua nacionalidade quando se tornam cidadãos de outro país, não comentou publicamente o caso.

Soleimani, um especialista em células tronco, foi preso no aeroporto de Chicago em outubro de 2018 sob alegações dos Estados Unidos que teria tentando exportar materiais biológicos para o Irã, violando sanções impostas por Washington por conta do programa nuclear do país islâmico.

As tensões aumentaram entre o Irã e os Estados Unidos desde que Trump retirou Washington de um acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis grandes potências mundiais, restabelecendo as sanções que prejudicam a economia de Teerã. O Irã, por sua vez, respondeu retirando gradualmente seus compromissos sob o acordo.

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