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Johnson e Corbyn tentam seduzir patronal na campanha eleitoral britânica

18/11/2019 14h56

Londres, 18 Nov 2019 (AFP) - O primeiro-ministro britânico conservador, Boris Johnson, e o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, em plena campanha para as legislativas, tentaram seduzir a classe patronal nesta segunda-feira (18), no grande encontro anual de sua principal organização, com promessas de ambos de reduzirem os tributos sobre as empresas.

O líder dos conservadores reconheceu que as empresas "não queriam o Brexit", mas explicou que a melhor forma de dar fim à incerteza econômica é sair da União Europeia (UE), como previsto, no fim de janeiro.

Johnson insistiu novamente em "concluir o Brexit", destacando que seu partido tinha fechado um acordo com a UE "pronto para ser servido como água quente em um bule de chá", comentou, provocando risos do público da maior reunião anual da Confederação de Indústrias Britânicas (CBI), principal organização patronal do país.

Este acordo "daria total estabilidade e certeza" para o futuro, após três anos e meio de instabilidade em torno do Brexit que prejudicaram o crescimento britânico, afirmou o chefe de Downing Street.

Em resposta a uma pergunta da CBI, o primeiro-ministro propôs uma redução das tarifas imobiliárias para as empresas. Sobre sua promessa de reduzir o imposto sobre sociedades, Johnson voltou atrás e argumentou que isto permitiria conseguir 6 bilhões de libras para "prioridades nacionais", como o sistema de saúde.

As isenções fiscais chegarão a 1 bilhão de libras por ano em 2022-2023, com reduções que afetarão a construção, a pesquisa e a contribuição das empresas para a Previdência Social nacional.

Seu principal rival, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, também prometeu reduzir os impostos imobiliários para as empresas.

Ele anunciou ainda medidas de apoio aos programas de "aprendizes para o clima", no âmbito de uma política de esquerda que promete grandes investimentos na transição energética e, sobretudo, uma série de nacionalizações.

Corbyn quer lutar contra "uma séria escassez de qualificações no Reino Unido", que "seguirá crescendo", especialmente devido à automatização de muitas profissões.

- 'Perigo de ideologias extremas' -Esses programas de aprendizado seriam financiados com fundos já disponíveis, com um montante de 700 milhões de libras até 2024.

As medidas foram apresentadas em um contexto de desaceleração da economia britânica, com um crescimento de 0,3% no terceiro trimestre.

"Tivemos um ano difícil" e "o crescimento não está à altura do esperado", disse o presidente da CBI, John Allan Murray, no início da conferência nesta segunda-feira.

Enquanto isso, a diretora-geral da organização, Carolyn Fairbairn, lembrou da oposição dos empresários a um Brexit sem acordo e também denunciou "o perigo de ideologias extremas".

Ela citou como exemplos, à direita, a "desregulamentação em massa" da economia e, à esquerda, um programa de nacionalização sem precedentes, proposto pelos trabalhistas, em infraestrutura, como ferrovias, água e Internet.

Os dois principais partidos concordam com suas promessas de investir centenas de bilhões de libras em hospitais, escolas, estradas e Internet, com o consequente risco de a dívida disparar.

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