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Hábitos errados: 8 coisas que você nunca deve fazer com seu carro

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

do UOL

Colaboração para o UOL

14/11/2019 04h00

Discutir hábitos e costumes é sempre um assunto polêmico. Na maioria das vezes as discussões acabam como começaram, ou seja, nenhum dos lados muda de opinião e segue fazendo do jeito que acredita ser o correto, mesmo que não seja.

No mundo dos carros, motoristas habilitados de todo o Brasil obrigatoriamente foram aprovados em exames, práticos e teóricos, que ensinam a maneira correta de dirigir. Mas, ao longo dos anos, é inevitável que adquiram alguns desses hábitos e costumes errados.

Aqui vai uma lista que tenho certeza que alguns leitores vão se identificar. A esperança é que entendam o motivo desses hábitos e costumes serem prejudiciais, seja para o próprio motorista ou para terceiros. Deixar ou não de fazê-los será uma opção de cada um.

Dirigir com o encosto do banco muito reclinado

Tem motorista que acha bacana deixar o encosto do banco bem reclinado, com o mínimo de apoio para as costas. Em vez de apenas apoiar as mãos no volante, é obrigado a se segurar nele para manter-se ereto. Por motivos óbvios, dores nas costas serão inevitáveis, além da dificuldade de visibilidade, já que os olhos ficarão numa altura abaixo do ideal.

Os praticantes dirão que essa posição não prejudica em nada e que estão acostumados. É uma grande balela. A não ser que você seja um piloto de Fórmula 1, que fica praticamente deitado no cockpit para baixar ao máximo o centro de gravidade do carro, levante esse banco e dirija na posição correta para a sua segurança e a dos outros.

Limitadores no cinto de segurança

Reprodução/Noys
Imagem: Reprodução/Noys

O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes em um carro. Projetado para manter os corpos dos ocupantes presos ao veículo em uma colisão ou até mesmo em uma freada mais brusca, não deve nunca ser deixado de lado, tamanha a sua importância.

Alguns "espertões" se sentem incomodados com ele e, na busca por conforto, limitam o movimento do cinto para que fique mais solto. Esses limitadores são vendidos livremente e é bem comum ver motoristas usarem desse artifício. E onde fica a segurança? Em uma colisão, a ação do cinto não será a mesma e poderá ser a diferença entre sobreviver ou não ao acidente.

Recentemente avaliei um antigo Lexus LS400, que tem um curioso sistema que deixa o cinto frouxo, dando assim mais conforto. Porém, quando precisa ser acionado, ele se recolhe instantaneamente, cumprindo com sua missão - não me recordo de outro carro com esse recurso. Caso você não seja dono de um, deixe esses limitadores de lado e use o cinto de segurança como se deve.

Películas que escurecem os vidros acima do permitido

Rafael Hupsel/Folhapress
Imagem: Rafael Hupsel/Folhapress

Esse é um ponto para lá de polêmico. Os defensores dirão que se sentem mais seguros contra assaltos, além do conforto de bloquear boa parte dos raios solares. A polêmica acaba quando vemos que, por lei, o vidro da frente deve permitir passar até 75% de luminosidade; os vidros laterais dianteiros devem permitir até 70%; e apenas os laterais traseiros e o traseiro podem ser mais escuros, com até 28% de luminosidade.

Na prática não é isso o que vemos em nossas ruas. A falta de fiscalização faz com que muitos "lacrem" os vidros com películas muito escuras, inclusive no para-brisa. Se mesmo em um dia ensolarado a visibilidade é prejudicada em uma situação como essa, imagine à noite, sob chuva ou neblina.

Quando eu tenho a oportunidade de guiar um carro assim, me sinto muito inseguro. Ao conversar com o dono, a resposta é sempre a mesma: "já me acostumei". Bobagem, pois as limitações estão ali, não tem como negar.

Engate sem nada para carregar

Renato Stockler/Folha Imagem
Imagem: Renato Stockler/Folha Imagem

Felizmente isso tem diminuído bastante, mas já foi bem popular. Se o motorista tem algo para ser rebocado, seja um simples suporte de bicicleta ou um grande trailer, não tenho o que questionar. Mas sabemos que a maioria instala por "segurança".

Segurança entre aspas mesmo, pois canso de explicar que aquilo não ajuda nada em uma colisão traseira. Muito pelo contrário, já que o impacto vai ser concentrado no engate, que fará um estrago considerável em todo o painel traseiro, pois não foi projetado para estar ali.

Além disso, há casos de pessoas que se machucam gravemente depois de passar atrás de um carro com engate e não perceber a presença dele.

O ideal seria que todos fossem removíveis. Essa semana avaliei dois carros que saem de fábrica com esse recurso, uma Mitsubishi Pajero Full e uma Mercedes-Benz GLK 220. Tem outros exemplos, mas sempre são de modelos que saíram assim da fábrica.

Rebaixar o carro

Para quem busca o máximo de performance e gosta de envenenar o motor do carro, não pode deixar de lado a adequação de freios e suspensão. Eu admiro e respeito os profissionais sérios que dominam essa área, mesmo sendo adepto do máximo de originalidade. Acontece que alguns destroem toda a dinâmica do carro a favor apenas do estilo, sem compromisso nenhum com a segurança.

Quem nunca se deparou com um carro "largado", se arrastando pelas ruas? Não tem a mínima condição de passar por uma valeta ou lombada sem raspar o assoalho, além de prejudicar o fluxo do trânsito. Se fosse só isso, tudo bem. Mas sabemos que um carro assim não tem condição nenhuma de pegar uma estrada com segurança. A não ser que rode na mesma e vagarosa velocidade que está acostumado a rodar no ciclo urbano.

Pneus com medidas diferentes das originais

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

É permitido alterar as medidas dos pneus do seu carro, desde que mantenha o diâmetro original e não ultrapasse a largura dos para-lamas. Ou seja: é possível instalar rodas com mais polegadas de diâmetro, mas as laterais dos pneus terão que ser menores, para poder manter o mesmo diâmetro do conjunto.

Confesso que já fiz a tolice de mudar as medidas originais dos pneus do meu primeiro carro. Nem foi muita coisa, mas o bastante para limitar o uso do dele. Não era mais possível andar carregado sem que os pneus traseiros pegassem nos amortecedores.

Além disso, a direção ficou mais pesada, o consumo de combustível aumentou e o alinhamento do carro nunca mais foi o mesmo - o que ocasionou desgaste acima do normal. Depois de certo tempo, cansado dessas limitações, não tive dúvidas em voltar para as medidas originais. Aprendi com esse primeiro carro e nunca mais fiz o mesmo nos outros seguintes.

Faróis auxiliares sem necessidade

Nilton Cardin/Folhapress
Imagem: Nilton Cardin/Folhapress

Aqui falta conhecimento do uso correto da iluminação do carro. É comum vermos motoristas dirigindo seus carros à noite apenas com as luzes de posição ligadas e os auxiliares acesos, sejam eles de neblina ou de longa distância.

Eu não quero levantar polêmica sobre isso, pois basta ler as regras do Código de Trânsito Brasileiro para ver que estão errados e apenas os faróis baixos devem ser utilizados nessas condições.

As luzes de posição não iluminam nada, assim como os faróis auxiliares - que ofuscam quem vem no sentido contrário e só servem sob condições que o próprio nome já diz. Quem faz o papel de iluminar a via de forma correta são os faróis baixos, que tem fachos assimétricos para não ofuscar quem vem no sentido contrário.

O mesmo serve para a lanterna traseira de neblina, aquela mais forte que equipa alguns carros. Em condições normais elas incomodam quem vem atrás.

Tangenciar as esquinas de ruas com mão dupla

Todos os dias passo por situações no trânsito que sinto a presença de meu pai falando no meu ouvido. Foi ele quem me ensinou a dirigir e deixou dicas valiosas. Uma delas é a maneira de dobrar esquinas à esquerda em ruas de mão dupla.

Muitos motoristas fazem essa manobra tangenciando a curva, como se estivessem num autódromo, na certeza de que não tem nenhum carro vindo naquele sentido.

Será que é preciso discutir o quão errado estão esses motoristas?

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado, o nome correto do código de trânsito em vigência no país é Código de Trânsito Brasileiro, e não Código de Trânsito Nacional. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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