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Ex-presidente da Assembleia Geral diz que mundo precisa de mudança de rumo

19/09/2019 20h01

Mario Villar.

Nações Unidas, 19 set (EFE).- As grandes crises que o mundo enfrenta, começando pela climática, requerem uma mudança de rumo em escala global, defende a diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa, ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, cargo que deixou nesta semana após concluir mandato de um ano.

Em entrevista concedida à Agência Efe pouco antes do desembarque dos principais líderes mundiais em Nova York para participar dos debates anuais das Nações Unidas, Espinosa destacou que é preciso deixar a retórica de lado e apostar em medidas concretas para resolver os problemas que afetam o mundo.

"Sabemos o que temos que fazer como sociedades. Temos que ter a liderança, a visão, o compromisso e a responsabilidade de fazê-lo. (...) Não podemos simplesmente cruzar os braços", ressaltou.

Espinosa garante estar "moderadamente otimista" sobre o futuro do planeta, mas pediu que as lideranças mundiais mobilizem esforços o mais rápido possível. Para ela, tudo passa por uma mudança de caminho, que deve começar pela adoção de políticas para resistir à mudança climática, tema de uma cúpula que será realizada na ONU na segunda-feira.

"É uma crise e uma emergência", disse Espinosa, citando como exemplo a devastação causada recentemente pelo furacão Dorian nas Bahamas.

Para a agora ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, que ainda está ajudando no evento já em andamento na sede das Nações Unidas em Nova York, a resposta não deve vir apenas dos governos, mas sim de toda a sociedade, que será ajudada pelo "despertar dos jovens".

O problema climático, porém, não é o único que o mundo deve enfrentar, segundo Espinosa. A crise vem acompanhada de outros desafios, como o aumento da desigualdade, questão que a ONU visa solucionar com a Agenda 2030, que substituiu os Objetivos do Milênio.

"Todo o pacote da Agenda 2030 é um grande guarda-chuva para desencadear ações concretas para uma mudança de trajetória", reforçou.

As reuniões paralelas à Assembleia Geral na próxima semana, que incluem temas como clima, saúde e desenvolvimento, foram pensadas neste contexto e devem ser vistas, segundo a diplomata, como um grande "pacote de compromissos" para o futuro do multilateralismo.

Espinosa também falou sobre os desafios que o próprio multilateralismo enfrenta. Na visão da diplomata equatoriana, é preciso se adaptar à resistência - como, por exemplo, à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tirar o país do Acordo de Paris.

"Há países, há líderes, há sociedades que dizem: 'Bom, não estamos de acordo em um tema ou outro'. Mas há acordo em outros temas... Acredito em buscar o denominador comum, os interesses comuns e, em certos temas, onde não há unanimidade, expressar um consenso das amplas maiorias", defendeu Espinosa.

Após um ano no comando da Assembleia Geral, a diplomata disse estar muito satisfeita por ter conseguido cumprir as prioridades estabelecidas para seu mandato, destacando o esforço feito para aproximar a ONU das pessoas e explicar o trabalho da organização à população.

A equatoriana também vê como uma grande conquista o acordo internacional para conter o uso de plástico - não assinado pelo Brasil. Para Espinosa, a iniciativa ampliou a conscientização sobre o problema da poluição dos oceanos e teve um resultado concreto: a eliminação do material nas sedes das Nações Unidas.

Perguntada sobre o futuro, Espinosa preferiu não dar muitas pistas e sequer quis comentar a indicação feita por Antígua e Barbuda para que ela seja a próxima secretária-geral da Organização de Estados Americanos (OEA). No entanto, ela teria que superar o atual dono do cargo, o uruguaio Luis Almagro, que já anunciou que tentará a reeleição.

"Acredito que qualquer coisa que fizer no futuro será para fortalecer o sistema multilateral, para contribuir com o trabalho feito pelas Nações Unidas. Me parece que é muito cedo para pensar nisso (a secretária-geral da OEA)", concluiu a equatoriana. EFE

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