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Discursos de Trump, Rohani e Bolsonaro geram expectativa na Assembleia da ONU

19/09/2019 20h00

Nações Unidas, 19 set (EFE).- Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, do Irã, Hassan Rohani, e do Brasil, Jair Bolsonaro, são os protagonistas dos discursos mais esperados da 74ª Assembleia Geral da ONU, evento que também será marcado pela ausência de importantes líderes mundiais, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping.

Seguindo a tradição, o Brasil abrirá os discursos na próxima segunda-feira, com grande expectativa para a estreia de Bolsonaro no palco mais importante da diplomacia mundial, especialmente depois dos embates com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a alta comissária para os Direitos Humanos da própria ONU, Michelle Bachelet.

Apesar de parte das atenções mundiais estarem sobre o presidente brasileiro, as recentes tensões entre Estados Unidos e Irã, agravadas após os ataques a refinarias de petróleo da Arábia Saudita, devem dominar os debates políticos na ONU. Em paralelo, mas não menos importante, outro dos assuntos mais discutidos será a guerra comercial promovida por Trump contra a China.

Confira as expectativas para os principais discursos da Assembleia Geral da ONU na próxima semana:.

DONALD TRUMP.

Mais uma vez, o presidente americano concentrará grande parte dos holofotes sobre si após dois anos de discursos marcados por um tom nacionalista e beligerante, repletos de frases e termos que entrarão para a história, como a vez em que chamou o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, hoje seu "amigo", de "homem-foguete".

Desta vez, Trump chega a Nova York com uma bagagem cheia de problemas de ordem mundial: sua guerra comercial com a China, as relações cada vez mais distantes com os aliados europeus e a forte escalada de tensão com o Irã.

Nas últimas semanas, a Casa Branca - e o próprio presidente americano - tinham alimentado expectativas sobre uma possível reunião com Rohani, hipótese sempre negada por ele e pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

A aproximação desejada por Trump foi enterrada de vez com os ataques a refinarias da Arábia Saudita no último sábado. Os EUA acusaram o Irã de estarem por trás da ação, elevando ainda mais as tensões nas já complicadas relações entre os dois países.

Ainda deve haver espaço para que o presidente americano fale sobre a situação da Venezuela. Depois de demitir seu assessor de Segurança Nacional, John Bolton, Trump disse que queria ações mais firmes contra o governo de Nicolás Maduro, mas era restringido por seu conselheiro.

HASSAN ROHANI.

O presidente iraniano segue negando qualquer hipótese de negociação bilateral com os Estados Unidos, que promete elevar ainda mais a pressão sobre a república islâmica com novas sanções econômicas pedidas por Trump após os ataques às refinarias sauditas.

Para dialogar com Trump, o Irã impôs duas condições: o fim das medidas que prejudicam a economia do país e a volta dos EUA ao acordo nuclear de 2015, assinado junto com Alemanha, Reino Unido, França, China e Rússia.

Como a Casa Branca não dá sinais de que irá recuar, o governo iraniano decidiu descumprir o previsto no pacto, acelerando as atividades de seu programa atômico.

Espera-se que, na ONU, Rohani denuncie as ações dos americanos contra o país, exija dos demais signatários do tratado medidas para aliviar impacto das sanções sobre a economia iraniana e que pressionem Trump a voltar ao acordo negociado ainda no governo de Barack Obama.

Rohani também deve negar a participação do Irã nos ataques às instalações da estatal petrolífera saudita Aramco, mas não deve poupar críticas ao país, com o qual está indiretamente envolvido em dois conflitos: o do Iêmen e o da Síria.

JAIR BOLSONARO.

Bolsonaro, que fará seu primeiro discurso na ONU desde que venceu as eleições presidenciais do ano passado, deve adotar na Assembleia Geral um discurso bem diferente de seus antecessores, com uma mensagem nacionalista e contrária a alguns dos princípios pregados pela Carta das Nações Unidas.

Com um governo marcado pelos embates com diferentes lideranças mundiais, como Macron e Bachelet, Bolsonaro tem prometido, no entanto, adotar um tom mais ameno em seu discurso de estreia na ONU.

"Já comecei a rascunhar o discurso, um discurso diferente dos que me antecederam. É conciliatório sim, mas reafirmará a questão da nossa soberania e do potencial que o Brasil tem para o mundo, coisa que poucos ou quase nenhum presidente fez na ONU", afirmou Bolsonaro em recente entrevista concedida à "Record TV".

Um tema que muito provavelmente será abordado por Bolsonaro no discurso é a situação da Amazônia. Os crescentes incêndios na região colocaram o Brasil na mira de ativistas, organizações internacionais e de alguns líderes mundiais, preocupados com a preservação da floresta.

A reação do Palácio do Planalto só ampliou a polêmica. Ao responder às críticas de Macron, Bolsonaro chegou a ofender a primeira-dama francesa, Brigitte, em uma postagem no Facebook. No caso de Bachelet, que questionou a crescente violência policial no Brasil, a réplica veio acompanhada de uma exaltação a Augusto Pinochet e de deboche com a morte do pai da ex-presidente chilena, assassinado pela ditadura comandada pelo ex-general.

Resta saber se o presidente, de fato, irá a Nova York. Ainda se recuperando de uma cirurgia para corrigir uma hérnia decorrente da operação à qual precisou ser submetido após o ataque sofrido na campanha eleitoral, Bolsonaro pode permanecer no Brasil. Ele nega a hipótese, já cogitada por assessores mais próximos e por aliados, como a deputada federal Carla Zambelli (PSL), que lançou campanha nas redes sociais para que ele fique e cuide da saúde.

Por recomendação médica, uma série de encontros bilaterais previstos com outras lideranças mundiais, como com o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, foram cancelados.

EMMANUEL MACRON.

O presidente da França vai a Nova York tentando mediar o conflito entre Estados Unidos e Irã, um movimento já descartado por Trump, e anunciar a iniciativa projetada por ele para proteger a Amazônia, já esboçada com outras lideranças mundiais durante a última cúpula do G7, realizada na cidade de Biarritz, na França.

Os embates com Bolsonaro podem ganhar um novo capítulo em Nova York, mas Macron deverá ser uma das vozes europeias mais importantes na Assembleia Geral, em um momento complexo para o bloco por questões como o Brexit.

BORIS JOHNSON.

O primeiro-ministro do Reino Unido viajará aos Estados Unidos com a cabeça na política interna de seu país, enquanto tenta encontrar formas de renegociar o acordo firmado por sua antecessora no cargo, Theresa May, com a União Europeia. A Assembleia Geral dará a Johnson uma oportunidade de rever muitos dos líderes do bloco, chance que pode ser aproveitada para destravar o imbróglio do Brexit.

ANGELA MERKEL.

Embora a presença da chanceler da Alemanha ainda não tenha sido confirmada, Merkel deve viajar a Nova York para participar, ao menos, da Cúpula do Clima que será organizada pela ONU na próxima segunda-feira. Ela também pretende ter reuniões bilaterais com alguns dos líderes que estarão na cidade devido ao evento, como o próprio Johnson.

AUSENTES.

Duas figuras chaves para a comunidade internacional, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, serão ausências mais do que significativas em uma Assembleia Geral que terá como plano de fundo diversos conflitos de ordem global.

Outros líderes já anunciaram que também não irão à ONU na próxima semana, como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e do México, Andrés Manuel López Obrador. EFE

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