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Petróleo mais caro afeta o Brasil? Gasolina e diesel devem subir? Entenda

do UOL

Filipe Andretta

Do UOL, em São Paulo

17/09/2019 16h01

O preço do petróleo voltou aos holofotes nos últimos dias depois que um ataque terrorista na Arábia Saudita mexeu com a cotação da matéria-prima. Nesta segunda-feira, os preços subiram quase 15%, maior alta em mais de 30 anos.

O UOL preparou este resumo para ajudar a entender as causas e consequências desse aumento de preços, como isso pode afetar a Petrobras, o pré-sal e o preço dos combustíveis no Brasil.

O que aconteceu na Arábia Saudita?

No sábado (14), duas instalações da petroleira estatal Aramco, no leste da Arábia Saudita, foram bombardeadas por drones. Rebeldes huthis, do Iêmen, reivindicaram a autoria dos ataques. Os EUA acusam o Irã de ser o responsável pelo atentado.

Como um atentado no Oriente Médio afetou os preços no mundo todo?

A Arábia Saudita é a maior exportadora de petróleo. Até que a empresa atacada retome a produção, o mundo passa a ter 5,7 milhões de barris a menos por dia, um corte de quase 6% na oferta da matéria-prima. Esta é a maior queda no volume de produção de petróleo da história.

Com menos oferta de petróleo no mercado, a concorrência pelo produto fica maior, e o preço sobe naturalmente. O risco de novos ataques no Oriente Médio gera uma incerteza que também se reflete na cotação do petróleo.

Além disso, o petróleo é cotado em dólar, e a tensão no Oriente Médio é mais um fator que pode fazer o dólar subir --a moeda já vinha tendo alta em razão do risco de recessão mundial e da guerra comercial entre EUA e China.

Se o Brasil produz petróleo, por que a alta internacional nos afeta?

O Brasil produz petróleo, mas atua tanto como importador quanto exportador. Isso acontece por diversos motivos, dentre os quais:

  • O petróleo predominante no Brasil é do tipo pesado, mais denso e difícil de refinar
  • Por questões logísticas, em alguns pontos do país é mais barato importar petróleo
  • A nova política de preços da Petrobras (veja mais logo abaixo) favorece a concorrência

Segundos dado da ANP (Agência Nacional do Petróleo), que regulamenta o setor no Brasil, o país exportou 431,6 milhões de barris em 2018 e importou 67,4 milhões —o que representa um balanço comercial positivo de US$ 20 bilhões.

Em relação aos derivados de petróleo, o Brasil teve déficit de US$ 7,9 bilhões no mesmo período: exportou o equivalente a 86,5 milhões de barris e importou 188,2 milhões.

Como funciona a política de preços da Petrobras?

Desde julho de 2017, a Petrobras adota uma política de preços que repassa, ao preço da gasolina e do diesel, nas refinarias, a variação da cotação internacional do petróleo. A estatal leva em consideração quanto ela poderia ganhar se exportasse seus produtos. Assim, se o valor do petróleo sobe no mercado internacional, a Petrobras tende a aumentar os preços internos para preservar os lucros.

A estatal foi muito criticada durante os governos de Lula e Dilma por segurar o reajuste de preços para ajudar a conter a inflação, mesmo que isso representasse lucros menores ou, até mesmo, prejuízo à estatal.

Gasolina e diesel vão ficar mais caros?

Ainda é cedo para afirmar qual será o impacto para os preços da gasolina e do diesel no Brasil. Depende de quão grande será o aumento da cotação do petróleo e por quanto tempo essa situação vai durar. Os EUA autorizaram o uso de estoques de petróleo, ajudando a conter a alta do preço.

Diante desse cenário de incertezas, a Petrobras afirmou que não fará reajustes por enquanto.

Porém, se o valor do petróleo continuar subindo, provavelmente a gasolina e o diesel fiquem mais caros para os brasileiros. Em razão da política de preços atual, a Petrobras teria que repassar essa alta para os combustíveis que saem de suas refinarias, o que deve ser repassado também pelos postos de gasolina.

Esse reajuste pode ser feito a qualquer momento e, segundo economistas ouvidos pelo UOL, o consumidor sentiria a diferença de preço nas bombas em poucos dias.

E o etanol?

Ainda que o etanol não seja um derivado de petróleo, o aumento de preços na gasolina e no diesel faz com que mais pessoas recorram ao álcool como combustível. Assim, pela lei da oferta e da procura, o preço do etanol também pode subir.

A alta do petróleo pode beneficiar o Brasil?

A perspectiva pode ser negativa para o consumidor, mas é positiva para a produção de petróleo nacional, especialmente em relação ao pré-sal (reserva de petróleo armazenada em solo brasileiro).

Com preços mais altos, o petróleo do Brasil fica mais valorizado no mercado internacional, e o país passa a lucrar mais com as exportações.

Por outro lado, como gasolina e diesel são usados nas principais formas de transporte (rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo), um eventual reajuste teria um "efeito dominó" nos preços em geral —o que pode acelerar a inflação.

Alta do petróleo pode aumentar combustíveis no Brasil

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