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Washington está 'pronto' para concluir negociações com talibãs afegãos

20/08/2019 21h17

Washington, 21 Ago 2019 (AFP) - Os Estados Unidos estão "prontos para concluir" as negociações com os talibãs na próxima rodada de conversações, em Doha, declarou nesta terça-feira o enviado americano Zalmay Khalilzad.

"De volta à estrada novamente. Primeira etapa em Doha, onde tentaremos concluir os assuntos pendentes. Estamos prontos. Vejamos se os talibãs também", escreveu Khalilzad no Twitter.

As duas partes, que iniciaram há um ano o diálogo direto e inédito, manifestaram seu otimismo com o "progresso excelente", após a última rodada de negociações celebrada há dez dias, em Doha.

A administração Trump não oculta sua esperança de que o próximo encontro seja o último e conduza a um acordo histórico entre as partes.

"As discussões vão bem", avaliou nesta terça-feira o secretário americano de Estado, Mike Pompeo.

Após o encontro em Doha, o emissário americano deve viajar a Cabul para consultas com o governo local e incentivar a preparação do diálogo entre afegãos, segundo o departamento de Estado.

O acordo deve permitir a retirada das tropas americanas, total ou parcialmente, uma promessa do presidente Donald Trump.

"Estamos lá há 18 anos, é ridículo", disse Trump nesta terça-feira.

A retirada total ou parcial dos 14 mil soldados americanos estacionados no Afeganistão é a principal exigência dos talibãs, que em troca prometem proibir que organizações "terroristas" operem nos territórios sob seu controle.

Os talibãs também aceitariam negociações de paz com o governo em Cabul, que seriam iniciadas em breve, em Oslo.

O texto traria uma trégua entre talibãs e as forças americanas, com ao menos uma "redução da violência", mas não um cessar-fogo geral, que dependerá do progresso das conversações em Oslo.

Pressionado para manter tropas no Afeganistão contra as ameaças do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, Trump disse nesta terça-feira que os Estados Unidos "sempre estarão lá".

"Estamos trazendo algumas de nossas tropas para casa, mas necessitamos manter uma presença", declarou o presidente.

"Nosso desejo é criar as condições no terreno para fazer o que o presidente Trump prometeu: reduzir uma operação que custa ao contribuinte entre 30 e 35 bilhões" de dólares, disse Pompeo à rede de televisão CNBC.

"Se conseguirmos reduzir a violência, vamos criar um espaço no qual poderemos não apenas retirar o apoio americano, mas o das forças da Otan também".

Os Estados Unidos enviaram tropas ao Afeganistão após os ataques de 11 de setembro de 2001 para derrubar os talibãs, acusados de proteger a rede jihadista Al-Qaeda.

fff/lr

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