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Norte-coreanos homenageiam Kim Jong Il em frio glacial

2019-02-16T11:05:00

16/02/2019 11h05

Pyongyang, 16 Fev 2019 (AFP) - O Dia da Estrela Luz amanheceu gelado em Pyongyang. Mas isso não impediu que milhares de norte-coreanos desafiassem os -8ºC para homenagear o seu ex-dirigente Kim Jong Il no dia do aniversário de seu nascimento.

O filho do fundador da República Popular Democrática da Coreia - Kim Il Sung - e pai do atual chefe de Estado - Kim Jong Un - nasceu em 16 de fevereiro.

Segundo os livros de história norte-coreanos, nasceu em 1942 em uma cabana coberta de neve no Monte Paektu, considerado o berço do povo coreano, onde seu pai combatia o ocupante japonês.

Os historiadores estrangeiros remetem, no entanto, a documentos soviéticos segundo os quais Kim Jong Il é nativo de um povo siberiano, na época em que Kim Il Sung estava exilado na União Soviética.

De qualquer forma, o dia 16 de fevereiro é uma data importante para este país, onde as crianças aprendem a venerar a "linhagem de Paektu", ou seja, a dinastia comunista dos Kim, que reina com mão de ferro há três gerações na metade da península coreana.

O Dia da Estrela Luz é celebrado com exibições de patinação no gelo, festivais florais e homenagens vibrantes ao falecido nos meios de comunicação estatais, perpetuando uma lenda solidamente ancorada.

Kim Chol Jun, um motorista de 42 anos, levou seus dois filhos à colina Mansu, onde duas enormes estátuas dos primeiros Kim dominam a capital.

"Não há filho ou filha que se sinta cansado quando visita seus pais", disse à AFP. "Os grandes dirigentes são vistos como nossos próprios pais, portanto, venho aqui para me inclinar ante nossos pais com meus filhos".

Os norte-coreanos sempre expressam um apoio sem reservas ao regime e a sua política quando são questionados pela imprensa estrangeira.

- 'Me ensinou tudo' -Dois cartazes monumentais, um para elogiar a luta contra o ocupante japonês e o outro, a edificação do socialismo, ladeiam as estátuas com os rostos iluminados pelo sol nascente. Um grupo de crianças varre as escadas que levam ao santuário.

Em frente às estátuas há um imenso arranjo floral em nome de Kim Jong Un, o jovem líder que deve se reunir com o presidente americano, Donald Trump, em uma cúpula prevista para o final de fevereiro, no Vietnã.

A Coreia do Norte está submetida a severas sanções internacionais por seus programas de armamento nuclear e balístico, que Washington urge que abandone. Mas negou as exigências de um desarmamento "unilateral".

Em turnos, casais, famílias inteiras e exércitos de estudantes ou soldados avançam na direção das estátuas.

Após colocar um ramo ou uma cesta com flores, ficam em fila enquanto, por megafone, uma voz anuncia: "Prestemos homenagem". Se inclinam ou fazem a saudação militar, caso estejam no Exército.

Desde a sua morte, em 2011, o corpo embalsamado de Kim Jong Il repousa em um mausoléu perto da capital, mas continua sendo oficialmente o secretário-geral do partido único.

A atriz aposentada Ri Cho Ok, de 77 anos, imediatamente dá vazão a sua emoção quando perguntada sobre o que isso significa para ela. Com a voz trêmula, diz que sente falta dele, especialmente quando está em frente à estátua.

Kim Kong Il, que dirigiu alguns filmes, era tão cinéfilo que o país sequestrou duas estrelas do cinema sul-coreano - um diretor e uma atriz - para que pudessem elevar o nível das produções do Norte. Segundo Pyongyang, contudo, chegaram e permaneceram no país por oito anos por vontade própria.

"O grande general me ensinou tudo, passo a passo, quando eu estava me tornando atriz", conta Ri Cho Ok, "e me elevou a muitas honrarias e medalhas". Mas, acrescentou, "era como se eu recebesse todas as horarias do mundo quando me reunia com ele".

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