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1 mês

Presidente eleito do Irã exige diálogo frutífero sobre programa nuclear

21/06/2021 15h52

Teerã, 21 Jun 2021 (AFP) - Três dias depois de ser eleito presidente do Irã, o ultraconservador Ebrahim Raisi exigiu, nesta segunda-feira (21), negociações frutíferas sobre o programa nuclear de seu país e expressou sua recusa em se encontrar com o presidente americano Joe Biden.

Em sua primeira coletiva de imprensa desde sua eleição na sexta-feira, Raisi - próximo ao guia supremo iraniano Ali Khamenei - disse que "não há obstáculos" para retomar os laços diplomáticos com a Arábia Saudita sunita, rival regional do Irã xiita.

Ele declarou também que "sempre defendeu os direitos humanos", quando os Estados Unidos e várias ONGs ocidentais o acusam de ter sido responsável por torturas e execuções sumárias durante sua longa carreira no poder Judiciário.

Raisi, que recebeu quase 62% dos votos na sexta-feira, em uma eleição marcada por uma abstenção recorde, tomará posse em agosto.

O futuro presidente, entretanto, elogiou a "presença massiva" da população iraniana nas seções eleitorais "apesar da guerra psicológica travada pelos inimigos do Irã".

- Raisi não quer encontrar Biden -O presidente tem prerrogativas limitadas no Irã, onde a essência do poder está nas mãos do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que tem a última palavra em questões centrais, como a nuclear.

Enquanto as negociações estão em andamento em Viena para salvar o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, assinado em 2015, Raisi disse que o Irã não permitirá "negociações pelo simples prazer de negociar".

"Deve produzir resultados para a nação iraniana", comentou.

O acordo de Viena concede ao Irã alívio das sanções do Ocidente e da ONU em troca de seu compromisso de não se equipar com uma arma atômica e por uma redução drástica de seu programa nuclear, colocado sob estrito controle da ONU.

Mas o acordo foi sabotado em 2018 pelo ex-presidente americano Donald Trump, que se retirou dele e restabeleceu sanções contra Teerã.

As negociações em curso em Viena tentam fazer com que os Estados Unidos voltem ao acordo. A solução poderia passar por um alívio das sanções de Washington em troca de o Irã cumprir estritamente o pacto, o que deixou de fazer em retaliação à reimposição de sanções.

O antecessor de Raisi, o reformista Hassan Rohani, optou por uma abertura ao Ocidente, favorecendo o acordo de 2015.

Mas o novo presidente respondeu "não" a um veículo americano que perguntou se ele pretendia se encontrar com Joe Biden caso as negociações permitam um alívio das sanções de Washington contra o Irã e para "resolver" os problemas entre os dois países inimigos há mais de 40 anos.

- Abertura de embaixadas -Por outro lado, após uma série de reuniões nos últimos meses entre o Irã e a Arábia Saudita, Raisi afirmou que "não há obstáculo da parte do Irã para a reabertura das embaixadas".

Sobre os direitos humanos, o novo presidente, que atualmente comanda o Judiciário, afirmou que "tudo o que fez nos últimos anos foi sempre voltado para a defesa dos direitos humanos", e acusou os ocidentais de "violações" nessa área.

Nesse sentido, criticou que "certos países reivindicam direitos humanos", como a França, e ao mesmo tempo dão "refúgio" aos Mujahidin do Povo (MEK, em persa), um grupo de oposição islamo-marxista no exílio cuja liderança tem sede em Paris.

Teerã acusa esse grupo de ter matado "mais de 17.000" iranianos em "ações terroristas" desde os anos 1980.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da França afirmou ter "tomado conhecimento" da eleição de Raisi e lembrou suas "preocupações" sobre "a situação dos direitos humanos" no Irã.

Questionado em 2018 e em 2020 sobre as execuções de milhares de opositores em 1988, Raisi negou ter desempenhado qualquer papel, como é acusado no Ocidente, mas prestou "homenagem" à "ordem" segundo ele dada pelo aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica, ao realizar este expurgo.

Raisi herda um país em grave crise econômica e social, consequência das sanções dos Estados Unidos.

Ele se apresenta como símbolo da luta contra a corrupção e defensor das classes populares deste país rico em petróleo.

amh-mj/tp/me/mb/mr/bn

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