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1 mês

Antes de Biden-Putin, Genebra foi palco do encontro Reagan-Gorbatchev

14/06/2021 09h31

Genebra, 14 Jun 2021 (AFP) - Novembro de 1985, Genebra. Apesar do frio, o encontro histórico entre os líderes americano, Ronald Reagan, e soviético, Mikhail Gorbatchev, possibilitou uma distensão que volta à memória com a cúpula entre Joe Biden e Vladimir Putin.

"O clima era de distensão. As pessoas vieram para esquecer a Guerra Fria. Cada um havia preparado seu pequeno número para seduzir o campo adversário. Todos sabíamos que era um momento histórico", lembra o então correspondente da AFP, Didier Lapeyronie.

O encontro, porém, havia começado com o pé esquerdo. Com o frio reinando em Genebra, um soldado que participaria da prestação de homenagens desmaiou momentos antes da chegada de Reagan a um dos locais da cúpula.

Seis anos antes do colapso da União Soviética, a cúpula de 1985 de Genebra, que durou três dias e foi coberta por 3.500 jornalistas, tinha como tema a desescalada armamentista entre as duas superpotências da época, na esperança de melhorar as relações.

O jornalista Nicolas Burgy, que cobriu para a AFP a chegada do presidente dos Estados Unidos ao aeroporto de Genebra, lembrou a "alegria", o clima "descontraído" que havia.

Uma das imagens que persiste é a dos dois líderes, muito sorridentes, conversando perto de uma lareira como dois amigos.

A mesma cordialidade foi demonstrada pelas primeiras-damas Raisa Gorbatchev e Nancy Reagan, que conversaram tomando chá sob o olhar dos fotógrafos.

Marie-Noëlle Blessig, correspondente da AFP que cobriu as primeiras-damas, lembra quando a esposa de Gorbatchev chegou à sede das Nações Unidas em Genebra para "cumprimentar o pessoal da ONU, onde foi aplaudida ruidosamente".

Outro sinal de degelo foi o primeiro aperto de mão, que durou sete segundos, entre Reagan e Gorbatchev em frente à Villa Fleur d'eau, um edifício do final do século XIX às margens do Lago Leman.

O evento aconteceu diante das câmeras e de inúmeros jornalistas passando frio.

- "Confortáveis" -Como os americanos escolheram esta mansão como seu quartel-general, Reagan chegou primeiro para saudar Gorbatchev "com a aparência de grande gentileza", conta Claude Smadja, ex-editor-chefe da televisão suíça TSR, uma testemunha daquele momento histórico.

"Em seguida vimos o lado muito americano e muito californiano de Reagan quando ele apertou a mão de Gorbatchev: ele colocou a outra mão em seu ombro para levá-lo para dentro, trocando sorrisos. Os dois queriam mostrar que estavam confortáveis", comenta.

Christiane Berthiaume, correspondente da Rádio Canadá na época, entendeu o significado daquele instante quando o líder soviético chegou.

"Nenhum jornalista fez perguntas quando saiu do veículo. Ficamos de boca aberta, foi impressionante, era o sinal de que a Guerra Fria, um período marcado pelo medo, estava chegando ao fim".

Dada a importância do que estava em jogo, as duas delegações impuseram um fechamento total às informações à imprensa até o final da cúpula.

"Na verdade, apesar do clima bom, o contato foi muito austero. As posições de uma parte e da outra estavam muito distantes", observa Claude Smadja, que também foi diretor-geral do Fórum Econômico Mundial.

A Suíça também tinha plena consciência da lacuna que separava os dois poderes, a tal ponto que Walter Fust, então assistente pessoal do presidente suíço Kurt Furgler, escreveu "dois discursos de boas-vindas diferentes, levando em consideração as culturas diferentes".

Fust contou à AFP um detalhe que ilustrava a diferença entre as delegações: "Os participantes russos chegaram em formação e muito disciplinados. Os americanos eram menos disciplinados para se mover sob a ordem do protocolo e seguir as instruções."

apo/vog/mas/zm/mr

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